Sauditas dizem só socorrer Ocidente em troca de maior influência

Grandes economias emergentes como China, Índia e Arábia Saudita não ajudarão o Ocidente com sua crise financeira a menos que obtenham mais influência na administração da economia global, disse uma alta autoridade do regime saudita nesta segunda-feira.

ANDREW TORCHIA, REUTERS

23 de janeiro de 2012 | 11h07

"A crise financeira e a grande recessão nasceram e se desenvolveram no Ocidente, embora tenham atingido duramente o mundo todo", declarou o príncipe Turki al-Faisal, ex-chefe de inteligência saudita, em discurso a uma conferência de negócios em Riad.

Ele disse que isto mostra a necessidade de dar às economias emergentes mais representação e mais autoridade nos organismos mundiais, como o G20, o fórum dos maiores países industrializados do mundo, e o Comitê de Estabilidade Financeira (FSB na sigla em inglês), que discute regulamentos de bancos e dos mercados financeiros.

Até hoje, entretanto, organismos como o FSB "ainda não levaram estas novas realidades em conta", enquanto o G20 faz pouco progresso na coordenação de políticas econômicas ao redor do mundo, disse ele.

A falta de influência das grandes economias emergentes em organismos internacionais reduz sua disposição de contribuir com mais dinheiro para combater a crise global, alertou o príncipe.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) busca mais que dobrar seu orçamento levantando 600 bilhões de dólares em novos recursos para ajudar os países a lidar com as sequelas da crise da dívida soberana da zona do euro.

"Do que podemos ter certeza é que grande nações em desenvolvimento não concordarão em fornecer fundos adicionais sem mais participação no FMI, e isto se aplica a todas as organizações de governança econômica globais", afirmou o príncipe Turki.

No discurso ele criticou os governos ocidentais por "alavancar" suas economias ao longo das últimas seis décadas e por permitir que seus setores financeiros saíssem do controle, dizendo que os Estados Unidos e a União Europeia continuarão a lutar com o problema da dívida por cinco ou dez anos.

Grande parte de sua crítica ecoou comentários de autoridades da China, outra economia emergente a quem se pede que ajude a combater a crise financeira mundial.

O banco central de Omã disse à Reuters na semana passada que o país está disposto a aumentar sua contribuição ao FMI, mas no geral os países do Golfo Pérsico, grandes exportadores de petróleo, não têm mostrado pressa para salvar o Ocidente, e esperam que primeiro a Europa faça mais para resolver sua crise fiscal.

O príncipe Turki disse que seu país continuará a desempenhar um papel estabilizador, mas, por enfrentar seus próprios desafios, como gerar empregos para uma população jovem e lidar com tensões políticas em todo o mundo árabe, no futuro concentrará seus recursos em temas domésticos e do Oriente Médio.

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