Michel Angelo/Divulgação
Michel Angelo/Divulgação

'Se eu fosse doméstica, seria igual à Marizete’

Uniforme da personagem já começa com dias contados

Patrícia Villalba - O Estado de S.Paulo,

30 Abril 2011 | 16h00

Não é porque ela apresenta um programa chamado Pirei (do GNT), que dá para concluir que Betty Lago resolveu sair intempestivamente da Globo, onde construiu carreira por quase 20 anos, para ser uma das protagonistas de Vidas em Jogo, da Record. A decisão, diz ela, conhecida por suas colocações contundentes e precisas, teve a ver com vários fatores, desde os colegas que teria no set, condições de trabalho e salário - conjunto que se pode chamar de business. "Não sou uma atriz de segundo time da Globo que saiu para ser protagonista na Record", anota ela, em conversa das mais agradáveis com o Estado num restaurante no Leblon, no Rio.

Mostrando-se surpresa e de certa forma até envaidecida com a repercussão que a troca de emissoras alcançou, ela garante que não terá problemas para se dividir entre a Betty real, que apresenta o inclassificável Pirei (sextas, às 19h e 22h), e a doméstica Marizete, uma das sortudas que vai ganhar um prêmio milionário em Vidas em Jogo, novela que a Record estreia na terça, às 22h15. É bom que fique anotado que a ausência de glamour que se confere na foto ao lado e que causa ruído porque, afinal, ela é uma das mulheres mais elegantes da TV, tem dias contados. "Vai durar uns 20 capítulos, porque ela ganha na loteria e fica rica", avisa a atriz, com cara de alívio e jeito de quem não tem medo de perder a piada.

Chama a atenção ver você no papel de uma mulher humilde, sem glamour. Isso pesou na decisão de ir para a Record?

Sim, pela diferença. Como atriz, eu gostaria de me afastar o máximo da minha persona, apesar de que o input está sempre lá. A Marizete é uma empregada doméstica, mas se eu fosse doméstica, com a personalidade que tenho, seria daquele jeito dela. A gente é sempre muito rotulado, o artista está sempre muito preso à imagem que cria de si mesmo. Então acho que o fato de a autora ter acreditado que poderia fazer o papel, mostra que ela viu através.

Mas para uma mulher tão bonita, é uma tortura aparecer com um figurino tão simples?

Olha, sinceramente? Se fosse para ficar assim mal ajambrada durante 200 capítulos, não ia dar. Mas, tudo bem. Em 20 capítulos, ela vai ganhar na loteria, ficar rica e virar uma perua. É um estilo bem diferente do meu, mas pelo menos vai ter maquiagem, cabelo, um figurino melhor (risos)...

O Alexandre Avancini dirigiu você em sucessos da Globo como Quatro por Quatro (1994) e O Quinto dos Infernos (2002). Ele teve algo a ver com sua ida para a Record?

Sim, trabalhar com pessoas que você conhece faz diferença, porque você já sabe o resultado que terá. Ele me disse no telefone "é um personagem incrível, tem tudo a ver com você, é comédia..." E eu falei "ufa, comédia!". Porque amo quem faz bem drama, mas não gosto de fazer drama. Fico com dor de cabeça quando choro muito.

E quais são as expectativas dessa mudança de emissora?

Acho que fui para a Record com o peito tão aberto e pensando "que legal que querem que eu faça um papel legal", que nem criei expectativa. Simplesmente fui, botei meu carro no estacionamento e fui fazer prova de roupa. Se vai ser melhor do que a Globo? Não sei. Mas quando você começa de peito aberto, já está em vantagem.

A gente precisa ver o Pirei para entender do que se trata. Como surgiu a ideia?

Ah, finalmente alguém entendeu! Chamei o (diretor e roteirista) Alberto Renault, fomos costurando ideias. E chegamos a uma crônica. É um ensaio sobre um assunto que pode ser cachorro ou algo abstrato como o ciúme. Nesta semana, por exemplo, o programa será sobre vermelho. Vamos da umbanda à maçã do amor de parquinho. É muito legal. A gente está aqui conversando, de repente você diz alguma coisa e, pronto, surge uma ideia para um programa.

A repercussão da sua saída da Globo foi grande.

Achei bacana, criou um tumulto. Então, quer dizer, sou uma artista que está fazendo alguma coisa interessante, senão passaria em brancas nuvens. Acho que a repercussão é boa para mim, para a emissora, para o trabalho e para os invejosos de plantão. É bom para todo mundo.

Difícil essa decisão, porque você já estava escalada para a próxima novela do Miguel Falabella, não?

O Miguel foi a primeira pessoa para quem eu liguei. E também liguei para o (Carlos) Lombardi, porque provavelmente ele é a pessoa mais importante na minha carreira na televisão. Ele me viu em Sex Appeal (1993) e achou que eu poderia ser protagonista de Quatro por Quatro. Sou uma atriz absolutamente lombardiana. Ele falou "Vai ser feliz? Vai lá!". O Miguel tomou um susto, mas teve humor e ainda perguntou "vê se tem alguma coisa lá pra mim" (risos).

Acha que a troca de empresa valoriza o profissional?

Acho. Mas quero deixar bem claro que essa não é a minha preocupação. Tem algumas pessoas que me dizem "é muito bom você estar indo pra Record, porque a Globo vai te chamar". Sabe uma coisa de vingança? Não é isso, gente! A minha valorização tem de ser feita por mim, que sei o quanto eu valho. Desculpe.

Não sei se é uma impressão de quem vê de fora, mas acho que você era valorizada na Globo. Ou não?

Eu era, sim! Eu não era uma atriz do segundo time que foi fazer novela na Record. Fiz várias protagonistas lá, agora é outro movimento. A Globo tem o melhor casting, não há dúvida. Mas outras emissoras estão criando os seus castings e em algum momento vai tudo ficar meio equilibrado, como é lá fora. / P. V.

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