''Se o campo vai mal, a economia não decola''

Produtor rural sofre prejuízos

José Maria Tomazela, SOROCABA, O Estadao de S.Paulo

11 Dezembro 2009 | 00h00

O agricultor Nelson Schreiner, de 70 anos, tem uma explicação para o fraco desempenho da economia brasileira, que resultou num Produto Interno Bruto (PIB) bem menor que o esperado no terceiro trimestre de 2009. "Se o campo vai mal, a economia toda não decola."

Produtor de grãos há 49 anos, Schreiner contabiliza este ano uma queda de 20% na renda obtida em suas fazendas entre Taquarivaí e Itapeva, no sudoeste paulista, em comparação com a média dos anos anteriores. Ele conta que as cotações internacionais do milho e da soja não acompanharam os preços da safra passada e foram, ainda, afetadas pelo dólar baixo. "Além dos preços fracos e do câmbio ruim, tivemos problemas climáticos na safra de inverno", disse.

PREJUÍZO

Produtor caprichoso, ele plantou 900 hectares de trigo pelo sistema de plantio direto. A lavoura, cuidada com esmero, teve um ótimo desenvolvimento e não chegou a ser afetada pelas doenças fúngicas que acometeram outros trigais da região.

"Era um trigo espetacular, que deveria produzir pelo menos 60 sacas por hectare", diz o produtor. Na véspera da colheita, começou a chover sem parar. "Resultado: não colhi uma única saca de trigo para moinho e tudo o que consegui colher virou farelo para ração." O prejuízo foi total, pois a lavoura não tinha seguro.

Schreiner calcula ter investido mais de R$ 1 mil por hectare para formar a lavoura.

Ele se considera um produtor precavido e pé-no-chão. Sabe que a agricultura é uma atividade de risco, em que se alternam os anos bons e os ruins, por isso mantém uma reserva para enfrentar os períodos de crise. Por conta disso, já cobriu as áreas de cultivo com milho e soja que serão colhidos no início de 2010.

"São lavouras de custo mais baixo, porque o preço do adubo e de outros insumos caiu, mas é preciso que outros fatores, como o clima e o mercado internacional, sejam favoráveis", diz Schreiner.

Uma coisa, para ele, é certa: o agricultor está sozinho e não pode depender do governo, pois dali não vem ajuda. "É o contrário: no Brasil, o governo é que depende do agricultor para a economia andar."

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