"Se queremos crescer, temos de fazer os cortes e as reformas estruturais", afirma primeiro-ministro espanhol

Mariano Rajoy reiterou a aposta de Madri na execução do plano de severo ajuste nas contas públicas e de reformas estruturais

Denise Chrispim Marin, Enviada Especial/ Chicago

20 Maio 2012 | 16h52

Em um esforço para diferenciar a Espanha da Grécia, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, declarou ontem “não haver sentido” no debate sobre crescimento econômico ou austeridade fiscal e reiterou a aposta de Madri na execução do plano de severo ajuste nas contas públicas e de reformas estruturais. Rajoy reforçou a linha de ação de seu governo à chanceler alemã, Angela Merkel, durante um passeio de barco pelo rio Chicago na manhã de ontem, antes da abertura da reunião de Cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

 

“Se queremos crescer, temos de fazer os cortes nos gastos públicos e as reformas estruturais”, afirmou Rajoy, ao relatar sua conversa com Merkel à imprensa. “A aposta do governo da Espanha é de controle do déficit público porque, se ninguém o financiar, as coisas se tornarão impossíveis. Vamos continuar o esforço para que a administração espanhola gaste o que arrecadar e não até o infinito.”

 

Na semana passada, a Espanha reviu o cálculo do déficit fiscal de 2011 de 8,5% para 8,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Trata-se de um porcentual três vezes maior do que o limite definido pela zona do euro a seus membros. O país registra ainda uma taxa de desemprego de 24,4%, a maior da região, e prevê uma contração de 1,7% no PIB deste ano. Partiu de Merkel a iniciativa de convidar Rajoy para o passeio. No sábado, a chanceler acabara isolada na reunião de cúpula do G8 (grupo dos países mais industrializados e a Rússia), em Camp David, por suas posições favoráveis à austeridade fiscal. Em especial, na Grécia e nos demais países atingidos pela crise da dívida na Europa. Em uma declaração prévia ao comunicado final, os líderes do G8 reconheceram ser “imperativo promover o crescimento e os empregos” e concordaram haver receita própria para cada país fortalecer sua economia.

 

No próximo dia 23, os líderes europeus se reunirão informalmente para tratar da solução para a crise da Grécia, onde o plano de ajuste fiscal sofre ampla resistência social e política, e como evitar o contágio aos outros países vulneráveis a uma maior turbulência financeira,  como a Espanha. O encontro formal se dará no final de junho, em Bruxelas, depois da reunião de cúpula do G20, o grupo das economias industrializadas e emergentes, no México.

 

Rajoy salientou ontem estar a Espanha também concentrada em fazer as reformas estruturais necessárias para elevar a produtividade e a competitividade de seus produtos. Uma conferência sobre investimentos na Espanha, em setembro, terá a presença de Merkel, confirmou ele. Igualmente, Madri quer aprofundar a transparência sobre os bancos, para os quais prometeu ajuda financeira com recursos orçamentários. Uma auditoria nessas instituições será realizada nos próximos dois meses por entidades privadas, com a assessoria do Banco Central Europeu. Rajoy, entretanto, refutou a recente sugestão do presidente da França, François Hollande, de apoio financeiro de fundos europeus aos bancos espanhóis.

 

“Não acredito que o senhor Hollande disse isso porque, logicamente, ele não sabe como são os bancos espanhóis”, afirmou Rajoy no sábado, ao chegar a Chicago.

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