Alexandre Fonseca/A Crítica
Alexandre Fonseca/A Crítica

Seca afeta 122 mil em 18 municípios no AM

TRE emitiu parecer favorável à consulta do governo para ajuda no período eleitoral. Auxílio emergencial deve chegar até o fim da semana

Liège Albuquerque / MANAUS, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2010 | 00h00

A Defesa Civil do Amazonas deve começar até o fim desta semana a ajuda emergencial a 27.947 famílias atingidas pela seca nas calhas do Rio Solimões e seu afluente Juruá. São mais de 122 mil pessoas em 18 municípios que decretaram situação de emergência. Mais da metade está isolada - nem por canoa o acesso é possível.

O nível do Rio Negro, que banha a capital amazonense, continua descendo cada vez mais. O Solimões sobe cerca de 30 centímetros por dia desde a semana passada, quantidade ainda insuficiente para normalizar a vida dos ribeirinhos. Ontem, o Solimões media 1,17 metro à margem e o Negro, 18,87 metros - 4 centímetros a mais do que o medido no mesmo dia em 1963, ano da maior vazante.

"Somente dentro de três semanas o efeito da subida das águas do Solimões poderá ser sentido nas águas do Rio Negro", disse o superintendente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) no Amazonas, Marco Oliveira.

Na semana passada, por cinco dias consecutivos, o Negro bateu recordes de medição abaixo dos números registrados nos mesmos dias em 1963. Naquele ano, o Negro chegou a 13,64 metros no pico de outubro.

TRE. Anteontem à noite, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas emitiu parecer favorável à consulta do governo estadual para a ajuda aos ribeirinhos, por conta da proibição da distribuição de bens à população em período eleitoral. A lei prevê a exceção em situação de emergência, mas, como o governador Omar Aziz (PMN) é candidato à reeleição, a administração julgou necessária a consulta.

De acordo com o coordenador da Defesa Civil, coronel Roberto Rocha, as ações de ajuda serão coordenadas em seis municípios: Tefé, Tabatinga, Eirunepé, Cruzeiro do Sul e Lábrea, no Amazonas, e Porto Velho, em Rondônia. Se a seca nos dois rios persistir por mais três semanas, pelo menos outros 20 municípios deverão decretar estado de emergência.

Além de cestas básicas e remédios, que serão distribuídos com a ajuda do Exército, a Defesa Civil anunciou a compra de 10 mil purificadores de água, no valor unitário de R$ 202, que devem chegar a Manaus na próxima semana. Os purificadores serão comprados sem licitação, o que é permitido em situação de emergência, e devem ser distribuídos a famílias isoladas.

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