Seca afeta florescimento dos cafezais

Deficiência hídrica já é considerada excessiva neste ano e pode prejudicar a safra a ser[br]colhida no ano que vem

Fábio Marin, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2007 | 02h31

Tempo seco e quente marcou a última semana do inverno em todo o Estado de São Paulo. Choveu em Presidente Prudente, Franca, Sorocaba e Taquarivaí, mas o volume não foi suficiente para romper a estiagem, que já passa de 60 dias na maioria das localidades. Apenas no Vale do Ribeira a precipitação atendeu à necessidade hídrica das pastagens e lavouras. Nas demais regiões, a umidade do solo já está abaixo de 15% da capacidade máxima de retenção, com deficiência hídrica em torno dos 20 milímetros.A combinação do forte calor com a estiagem afeta os cafezais de São Paulo, chegando a refletir no preço do produto na Bolsa de Nova York. Mesmo necessitando de um período de seca para iniciar seu florescimento, a deficiência hídrica é considerada excessiva para o cafeeiro neste ano, podendo afetar a safra que será colhida em 2008.FALTA DE PASTOOs pecuaristas também sentem os efeitos da forte seca, que não permite o uso do pasto para alimentar o gado. Para evitar os altos custos para suplementação alimentar do gado no cocho, os pecuaristas têm se apressado em vender os animais. Até mesmo as lavouras perenes com sistema radicular profundo, como é o caso da seringueira, já sentem os efeitos da seca e do calor no noroeste do Estado.COLHEITASNos pomares de laranja da região central, a colheita segue animada pela alta nos preços do produto, provocada, em parte, pelo aumento no consumo decorrente do forte calor.A condição do tempo favorece também a colheita da cana-de-açúcar em Piracicaba, Ribeirão Preto e Araçatuba; do pêssego em Paranapanema; da alcachofra em Piedade; da mandioca em Presidente Prudente; do tomate em Mogi-Guaçu, Guaíra e Sumaré, e da uva em Jales.Os produtores de grãos já iniciaram os preparativos para a semeadura da safra de verão, mas a baixa umidade do solo não favorece o preparo do solo em sistema convencional. A recomendação é a de que os produtores sigam as orientações do zoneamento agrícola do Brasil e aguardem pelo menos 40 milímetros de chuva para iniciar a semeadura do milho e da soja.*Fábio Marin é pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária. Para maisinformações sobre tempo e clima no Brasil, acesse www.agritempo.gov.br

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