Seca já prejudica Zona da Mata no nordeste

A seca que destrói lavouras e reduz o rebanho dos agricultores no semiárido, considerada a pior dos últimos 30 anos, já faz estragos também na região da Zona da Mata, faixa paralela ao litoral nordestino, onde se concentra o cultivo da cana-de-açúcar.

ANGELA LACERDA, Agência Estado

17 Maio 2012 | 09h49

"Mesmo que o período chuvoso na área tenha início hoje, teremos uma redução de 20% na produção de cana do Nordeste", afirma o presidente da União Nordestina de Produtores de Cana, Alexandre Andrade. A produção da região é de 62 milhões de toneladas.

No semiárido não há mais esperança de chuva neste ano, lamenta o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape), Doriel Barros, que, em meio às dificuldades de quem vive no agreste e sertão, comemora a conquista de uma reivindicação feita ao governo estadual: a de que os conselhos municipais, que envolvem a sociedade civil, passem a acompanhar e monitorar a distribuição de carros pipas com as populações sedentas. "Assim a gente assegura que a água vá para quem precisa, sem influência político-eleitoreira."

O açude da Barra do Juá, na área rural do município sertanejo de Floresta, a 439 quilômetros do Recife, entrou em colapso e toda a comunidade abastecida por ele vivencia "a pior seca da era", nas palavras do coordenador dos usuários do açude, Ricardo Souza.

Embora o preço do alimento tenha duplicado - o quilo do feijão está sendo vendido a R$ 8 -, as pessoas não estão passando fome. A situação dos animais, contudo, é ruim, aponta Souza.

Pedro Olegário, dono de um pequeno sitio em Sertânia, a 316 quilômetros da capital, já perdeu mais de 20 bois e a tendência é esse número aumentar. "Ainda tenho um pouco de macambira e mandacaru, que resistem bem à seca, mas vai acabar logo e depois disso não vou ter mais nada para dar aos bichos."

Por enquanto, não há sinal de êxodo dos habitantes do semiárido pernambucano em busca de locais menos degradados pela estiagem e com maior oferta de alimento e trabalho. "As pessoas têm esperança nas ações do governo", justifica o dirigente sindical Doriel Barros.

Atualmente, 749 municípios do semiárido estão em estado de emergência, reconhecido pela Secretaria Nacional de Defesa Civil. A Bahia apresenta uma das situações mais graves, com 214 municípios - dos seus 417 - em estado de emergência. A Paraíba tem 172, o Rio Grande do Norte, 140 e o Piauí 112. Pernambuco tem 62 e Alagoas 28. Sergipe e Ceará têm 20 cada um. O Maranhão tem um. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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