Seca provoca racionamento em 30 cidades do CE

População dos municípios afetados terá água na torneira dia sim, dia não; estiagem, que é a pior dos últimos 40 anos, afeta vários Estados do Nordeste

LAURIBERTO BRAGA, ESPECIAL PARA O ESTADO, FORTALEZA, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2013 | 02h04

A Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) anunciou ontem a adoção de racionamento de água a cada 24 horas, a partir da semana que vem, em pelo menos 30 municípios cearenses castigados pela pior seca dos últimos 40 anos no Nordeste.

A reunião que decidiu pelo racionamento foi comandada pela Agência Nacional de Águas (ANA), que, a pedido da presidente Dilma Rousseff, vem debatendo o assunto nos Estados nordestinos. O encontro, que serviu para avaliar os sistemas de abastecimento em todo o Ceará, teve a participação do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), do Serviço Ecológico do Brasil, Fundação Nacional de Saúde, Secretaria de Desenvolvimento Agrário e Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará.

O racionamento será por tempo indeterminado.

Segundo o Comitê Integrado de Combate à Seca do Estado, o nível de armazenamento de água no Ceará hoje está abaixo de 25% da capacidade. Nas cidades onde haverá racionamento, a Cagece informou que vai orientar para um consumo responsável, com restrições ao fornecimento.

A proposta aprovada é que o racionamento funcione em ciclos de 24 horas - um dia com água e outro sem, sucessivamente. A restrição no fornecimento de água tratada vai atingir de imediato os moradores das zonas urbanas de cidades da Região dos Inhamuns e do Sertão Central.

Outras localidades também estão sob ameaça de racionamento, como a região metropolitana de Fortaleza. Ontem, quase 3 milhões de usuários já ficaram sem abastecimento em Fortaleza, Maracanaú, Eusébio e parte de Caucaia, para que a Cagece pudesse executar serviços de manutenção na estação de tratamento que abastece essas quatro cidades.

A população foi orientada a reservar água em baldes para as atividades domésticas. Durante a suspensão do abastecimento, a Cagece pede que a água seja consumida de forma racionada.

Problema regional. O cenário é semelhante em outros Estados nordestinos. A estiagem está afetando a produção de gado - estima-se perda de 20% do rebanho por causa da seca - e de mandioca para fabricação de farinha e goma para tapioca, muito utilizada na culinária regional.

A produção de farinha de mandioca no Nordeste caiu mais de 50%, o que levou a um aumento de 100% do preço do produto em comparação com o ano passado.

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