Secretário de Defesa dos EUA admite desafios no Afeganistão

O primeiro dia de Chuck Hagel, secretário de Defesa dos EUA, no Afeganistão começou com o som de um atentado suicida a cerca de um quilômetro de onde fazia uma de suas reuniões matutinas.

PHIL STEWART, Reuters

09 de março de 2013 | 18h06

"Não sabia bem o que era", disse Hagel quando indagado sobre sua reação inicial à detonação que matou nove civis do lado de fora do Ministério da Defesa afegão.

"Mas estamos em uma zona de guerra. Estive na guerra... então não devemos ficar surpresos quando uma bomba explode ou acontece uma explosão".

A reunião de Hagel seguiu adiante --mesmo quando um anúncio sobre o incidente foi transmitido pelos alto-falantes de uma instalação da Otan que o abrigava na ocasião, disseram representantes.

Mais tarde ele embarcou em um voo para o campo aéreo de Bagram, próximo de Cabul, para se encontrar com comandantes da guerra mais longa da história dos Estados Unidos, e em seguida em um voo para a cidade de Jalalabad, no sul do país.

Lá ele condecorou com a medalha Coração Púrpura dois soldados que, como ele, foram feridos em combate.

"É verdade. Eu estava no exército dos EUA em 1968, no Vietnã", disse ele às tropas em Jalalabad.

Hagel, o primeiro veterano do Vietnã a se tornar secretário de Defesa, recebeu dois Corações Púrpuras durante o conflito e ainda tem estilhaços no peito.

Para o ex-senador republicano de 66 anos, a viagem é uma volta à guerra do Afeganistão, e será dissecada por críticos republicanos que se opuseram à sua indicação e questionaram seu juízo.

A última vez em que Hagel presenciou o conflito de perto foi durante uma visita do então senador Barack Obama em 2008.

Desde então, mais de 30 mil tropas norte-americanas foram e voltaram, e no mês passado o presidente democrata anunciou que cerca de metade dos 66 mil soldados dos EUA ainda no país retornarão até o início do ano que vem.

A Otan encerrará a missão de combate até o final de 2014, deixando somente uma força de treinamento e contraterrorismo relativamente pequena.

Hagel reconheceu que, apesar disso, o Taleban continua ativo. "Mesmo agora que passamos para um papel de apoio, esta continua sendo uma missão perigosa e difícil", afirmou. "Ainda estamos em guerra, e muitos de vocês continuarão a viver a feia realidade do combate e do calor da batalha".

Obama exaltou as qualificações e o histórico de guerra de Hagel, ressaltando que ele lutou como voluntário, e não como oficial. Hagel, argumentou Obama, encara a guerra da perspectiva "do cara lá de baixo" enviado para lutar, e talvez morrer, no estrangeiro.

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