Secretário evita culpar polícia pela morte de Ryan Gracie

Ronaldo Marzagão diz que primeiro precisa-se apurar os fatos para, aí então, apontar culpados

BRÁS HENRIQUE, Agencia Estado

17 de dezembro de 2007 | 19h00

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Ronaldo Marzagão, disse nesta segunda-feira, 17, que não irá se precipitar em formar um juízo de valor sobre o caso da morte do lutador de jiu-jítsu Ryan Gracie, no sábado, numa cela do 91.º DP, na capital paulista. "É precipitado dizer que a polícia errou", afirmou o secretário, em Ribeirão Preto, no interior do Estado. "Minha posição é de apuração e, desde o primeiro momento em que soubemos do fato, a Corregedoria da Polícia Civil está acompanhando todos os trabalhos." "Vamos apurar adequadamente não só a causa da morte, mas também como (foi) a circunstância da morte", disse. Marzagão informou que depoimentos já teriam sido tomados nesta segunda e, ao final do inquérito, "os responsáveis serão punidos". Distante há dois dias de São Paulo, o secretário declarou que soube pela imprensa das informações sobre o caso, inclusive sobre o médico (o psiquiatra Sabino Ferreira de Farias Neto) que atendeu Gracie no DP."Não há ainda um resultado oficial do exame toxicológico a que ele (Gracie) foi submetido", comentou Marzagão, esquivando-se ao máximo das questões referentes à presença do médico particular do lutador na delegacia. "Não posso emitir juízos de valor sem ter antes um quadro perfeito do que ocorreu." Marzagão repetiu que um médico foi solicitado pelo próprio lutador e pela própria família dele, por causa de suas condições especiais, pela força física. Surto semelhante O comportamento estranho apresentado por Ryan não seria novidade, segundo sua família. O lutador teve um surto semelhante ao que culminou com sua morte uma semana antes, contou nesta segunda seu pai, Robson Gracie. "Ele estava aqui no Rio e começou a dizer que estava sendo perseguido. `Ele vem me pegar. Cuida do meu filho', ele dizia. Conseguimos acalmá-lo. Meu filho estava doente. Não era um criminoso", afirmou Gracie, que se mantém firme na decisão de processar o Estado e o médico Sabino Farias Neto. Gracie contou que as alucinações surgiram havia um ano. Segundo a família, ele sofria de síndrome do pânico. Se no dia do enterro do filho, Gracie reconheceu que o lutador era usuário de drogas, nesta segunda desconversou: "Pode ser que sim. Eu não sei". De acordo com a irmã Hannah, Ryan tentava se livrar do alcoolismo. "Ele estava no início do tratamento, indo a um psicólogo. Conversamos por telefone e ele disse que estava super calmo, sem sair à noite. Mas teve essa recaída", contou Hannah. De acordo com ela, a família não se conforma com o fato de Ryan ter recebido uma dose extra de medicamentos por ser lutador. "Ele era forte, mas o organismo dele é como o de qualquer outra pessoa. Os policiais disseram que meu irmão não pediu ajuda, mas como poderia se foi dopado por aquele médico?", indagou Hannah. "Qualquer traficante de favela ferido vai para um hospital público, antes de ser levado para a delegacia. O Ryan estava em surto, apanhou muito, inclusive levou capacetada de um motoqueiro, e não recebeu o atendimento adequado. O que a polícia de São Paulo queria? Fazer do meu irmão um exemplo?", quis saber.

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