Secretário-geral da Fifa não virá mais ao Brasil semana que vem

O secretário-geral da Fifa, Jerôme Valcke, não virá ao Brasil na semana que vem para visitar obras para a Copa do Mundo de 2014, disse nesta sexta-feira o ministro do Esporte, Aldo Rebelo.

RODRIGO VIGA GAIER, REUTERS

09 Março 2012 | 14h07

Valcke esteve no centro de um atrito entre a Fifa e o governo brasileiro por conta de declarações duras feitas por ele ao criticar os preparativos para o Mundial. O secretário-geral disse que os organizadores precisavam levar "um chute no traseiro" para fazer a Copa acontecer.

As declarações levaram o governo brasileiro a vetá-lo como interlocutor para o Mundial e Valcke enviou carta a Aldo em que pediu desculpas pelos comentários. As desculpas foram aceitas, mas o episódio parece não ter sido totalmente superado.

"Ouvimos criticas num palavreado inadequado e recebemos pedidos de desculpas. Não sei o que a Fifa pensa sobre manter ou não (Valcke) como interlocutor, mas me parece que a viagem ao Brasil não ocorrerá mais", disse Aldo a jornalistas durante visita a obras do Maracanã, estádio que sediará a final do Mundial.

A Fifa deve ser representada na viagem da semana que vem pelo presidente da entidade, Joseph Blatter, que deve se reunir com Aldo e com a presidente Dilma Rousseff. O encontro foi pedido pelo chefe da Fifa em carta em que também se desculpou pelas declarações de Valcke.

Segundo disse à Reuters uma fonte do ministério, a decisão sobre a manutenção de Valcke como interlocutor da Fifa junto ao governo brasileiro deve ser tomada nesse encontro.

"Eles vão conversar sobre isso na reunião da presidenta e o ministro com o Blatter. Uma relação está sendo construída e quem sabe depois disso as coisas voltem ao normal", disse a fonte.

Na entrevista, Aldo reconheceu que há aspectos em que a preparação do Brasil para a Copa precisa avançar. O ministro, no entanto, voltou a atacar a forma usada por Valcke para fazer as críticas.

"As criticas foram comprometidas pelo vocabulário usado e não tem como responder as criticas com aquele vocabulário", disse Aldo.

Valcke reclamou do atraso em obras de estádio e de infraestrutura. Ele também comentou que o Brasil está mais preocupado em vencer o Mundial em casa do que em realizá-lo.

"A infraestrutura é preocupação não só pela Copa, mas é uma exigência do Brasil pelo seu crescimento", defendeu o ministro, que listou problemas nas áreas de aeroportos e telecomunicações.

"Existem problemas e problemas. Uns levam tempo para serem resolvidos (infraestrutura), e outros exigem apenas providências sem custo e investimento."

CBF

O ministro disse que não foi informado sobre o afastamento de Ricardo Teixeira da presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), por motivos médicos, como foi divulgado na quinta-feira. Segundo ele, ficou sabendo pela imprensa.

"Licença da CBF é um assunto interno e o governo não tem atribuição nem deseja interferir nesse assunto."

Teixeira, que é alvo de denúncias de irregularidades no comando do futebol brasileiro, está à frente da CBF desde 1989. Ele também é chefe do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014.

O afastamento do dirigente, que teria pedido licença devido a uma diverticulite e outros problemas de saúde, foi informado a presidentes de federações estaduais. Não foi especificado por quanto tempo Teixeira permanecerá afastado.

Aldo visitou as obras do Maracanã durante meia hora e revelou que o estádio é o mais adiantado entre os 12 que serão usados na Copa.

Segundo o Estado do Rio de Janeiro, responsável pela obra, 39 por cento da reforma está pronta e a arena, construída para a Copa de 1950, ficará pronta no primeiro trimestre de 2013.

(Reportagem adicional de Maria Pia Palermo; Edição de Eduardo Simões)

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