Secretário-geral da ONU pede avanço em relação ao alcançado

Ban Ki-moon afirma que agora é hora de se elevar aos interesses nacionais e dar prosseguimento à Rio+20 com ação

LOURIVAL SANTANNA , ENVIADO ESPECIAL / RIO, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2012 | 03h02

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, fez ontem um apelo para que os países-membros da entidade avancem em relação aos compromissos firmados na Rio+20.

Em seu discurso no primeiro dia da reunião de cúpula, em seguida ao da presidente Dilma Rousseff, Ban enfatizou que os países não podem ter êxito sem a participação da sociedade civil - depois que o representante das organizações não governamentais pediu que fosse retirado do comunicado final a menção de sua participação na conferência (mais informações na página H4).

No dia seguinte à aprovação de um comunicado final praticamente desprovido de novos compromissos concretos, para acomodar interesses fortemente divergentes e alcançar o consenso entre os 193 países-membros,

Ban exortou aos líderes mundiais: "Agora é a hora de nos elevarmos sobre interesses nacionais estreitos, de olharmos além dos interesses estabelecidos desse ou daquele grupo. É hora de agirmos com uma visão mais ampla e de longo prazo."

"Nomeei o desenvolvimento sustentável minha prioridade número 1", afirmou o sul-coreano. "Fizemos progresso significativo. Agora é o momento de um grande passo final." Ban insistiu: "Vamos dar prosseguimento à Rio+20 com compromisso e ação. Agora é a hora para a ação. Não vamos pedir a nossos filhos e netos que realizem uma Rio+40 ou Rio+60."

"Aos milhares de representantes da sociedade civil e dos negócios, ofereço minhas especiais boas-vindas", continuou o secretário-geral. "Precisamos absolutamente de sua parceria. Não podemos ter sucesso sem vocês." A declaração final da Rio+20 fala em "plena participação da sociedade civil".

G-77 sob críticas. China, Índia e Brasil são criticados pelos países desenvolvidos por insistir, no âmbito do G-77, por eles liderados, que os ricos paguem a conta da conversão para a economia verde, quando essas nações emergentes já atingiram certo grau de prosperidade.

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, procurou demonstrar que a China está disposta a pôr a mão no bolso. Anunciou em seu discurso a destinação de 200 milhões de yuans (US$ 31 milhões) para projetos de desenvolvimento sustentável em ilhas, pequenos países em desenvolvimento e nações africanas - além de outros US$ 6 milhões para o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) para a capacitação de países em desenvolvimento para ações de proteção ambiental.

Mais cedo, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, responsabilizou os países desenvolvidos pelo fato de o sistema financeiro internacional "drenar e saquear sistematicamente a riqueza" dos países pobres ao longo de gerações. "A ordem internacional precisa ser redesenhada para servir às necessidades espirituais da humanidade", disse.

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