Secretário nega relação com fraude de merendas em São Paulo

Ministério Público investiga suposto cartel envolvendo fornecedores de merenda à rede pública de 14 cidades

Da Redação, com informações de O Estado de S. Paulo, Agencia Estado

05 de fevereiro de 2009 | 09h39

O atual secretário municipal da Saúde e ex-secretário de Gestão, Januário Montone, disse na quarta-feira, 4, por meio de sua Assessoria de Imprensa que nega com veemência qualquer relação com fornecedores de merenda para o Município e que as acusações são levianas. Reportagem desta quinta-feira, 5, do Estado, revela que o Ministério Público Estadual (MPE) investiga um suposto cartel envolvendo ao menos dez fornecedores de merenda para a rede pública (municipal) de educação de São Paulo e de pelo menos outros 13 municípios do Estado.   Veja também: Entenda o suposto esquema da merenda em São Paulo    O esquema também teria cooptado servidores de diferentes setores da administração para conseguir direcionamentos de licitações. A recompensa viria de duas formas: por meio do pagamento de propina ou com a oferta de cargos nas empresas beneficiadas. Cinco funcionários públicos já identificados estão na mira dos promotores, entre eles o atual secretário municipal da Saúde em São Paulo e ex-secretário de Gestão, Januário Montone - que nega qualquer ligação com as empresas sob suspeita.   A Secretaria Municipal de Educação, por nota, disse desconhecer qualquer investigação. Sobre o levantamento da Fipe - que aponta irregularidades na merenda escolar -, a pasta informa que ele foi "recusado porque não atendia ao pedido de avaliação completa do processo de terceirização. O estudo original, prossegue o texto, apenas avaliava custos usando metodologia errada (comparava o custo da matéria-prima da merenda direta, sem considerar custos de armazenagem, transporte e funcionários de cozinha, contra o preço da merenda terceirizada). "A Prefeitura pediu que o estudo fosse refeito e completado. O estudo completo foi entregue em dezembro de 2008." A pasta assumiu a gestão da merenda neste ano. Antes, a responsabilidade era da Secretaria de Gestão - que, procurada ontem, não deu retorno.   O advogado José Alexandre Amaral Carneiro, que defende a SP Alimentação, uma das principais investigadas, diz que soube da existência de um procedimento na Promotoria de Cidadania, mas que o promotor negou acesso aos autos. Sócio de Carneiro, o advogado Jonas Marzagão confirmou que a empresa já foi alvo de investigação, mas que as acusações sempre tiveram cunho político. "A merenda é de ótima qualidade, não existe cartel", disse. "A terceirização desse serviço é nova e há resistência."   Geraldo Fabri, assessor da Geraldo J. Coan & Cia Ltda., outra empresa apontada pelo MP como cabeça do suposto esquema, disse não ter "recebido nada a esse respeito". "Não sabemos a origem disso, se há algum fundamento. Só conhecendo a denúncia para fazer qualquer pronunciamento."

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