Segurança papal é formada por tropa de elite suíça

Guarda Suíça tem 110 homens peritos em artes marciais e tiro treinados pela Otan: perfil mudou após atentado de 1981

ROBERTO GODOY , O Estado de S.Paulo

18 de março de 2013 | 02h04

Ao parar para cumprimentar o público em uma entrada lateral do Vaticano ontem, o papa Francisco demonstrou que deve dar trabalho aos responsáveis por sua segurança. O cardeal brasileiro Cláudio Hummes já tinha dito a jornalistas italianos que o amigo argentino "gostaria de dispensar todas as formalidades, andar pelas ruas; ouvir e conversar".

Bem, não vai ser assim. Embora Bergoglio tenha sido um passageiro diário do sistema de transporte coletivo de Buenos Aires e frequentador das bodeguitas especializadas em empanadas, seus dias de liberdade incondicional acabaram.

O comandante da Guarda Suíça, a pequena força militar do Vaticano, anunciou que o grupo formado por 110 homens está sendo preparado. "A segurança sempre se adapta ao estilo do pontífice", declarou Daniel Anrig. Isso, na prática, significa que Francisco vez por outra cumprimente fiéis nas ruas, como ontem. Mas seus deslocamentos serão a bordo de limusines de aço a prova de explosivos.

Os agentes da Guarda são treinados para saltar diante do tiro de um atentado contra o papa. Consideram que, agindo assim, estarão "defendendo a grata existência do sucessor de Pedro, o Vigário de Cristo". Os termos do juramento dos guardas suíços, mantidos pelo Vaticano desde 1506, são claros: os soldados oferecem a vida em defesa do papa.

São ótimos combatentes, entre os melhores especialistas em procedimentos de segurança de autoridades. Distantes da imagem colorida do uniforme de inspiração renascentista azul, amarelo e vermelho usado com boina preta - nos dias de grande solenidade, com meia armadura, elmo e lança -, os guardas são sempre suíços natos, católicos e solteiros. A idade não pode ser inferior a 18 anos nem superior a 30.

Devem medir mais de 1,75 metro e passar, previamente à admissão, por um exigente teste físico e de avaliação psicológica. O treinamento básico é ministrado em uma base das forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em Nápoles. A instrução dura 90 dias.

Cada um é perito em lutas marciais, tiro de precisão com pistola automática 9 mm, uso de rádio digital e de óculos de visão noturna. Levam ainda uma arma elétrica e um cassetete telescópico.

Para o coronel brasileiro Júlio Cavalcanti, ex-integrante da equipe de segurança da Presidência da República, o ataque a João Paulo II em 1981 obrigou os agentes do Vaticano a desenvolverem competências especiais: "Eles são peritos em localizar em meio à multidão o rosto do atentado, um homem ou mulher vestido em desacordo com o clima, olhar fixo, pálido, talvez ofegante e transpirando muito".

A Guarda Suíça fala alemão. O atual comandante, Daniel Anrig, lidera 104 soldados, 5 oficiais e 1 capelão. Os carros da equipe são Mercedes CLK blindados, preparados para absorver impacto de foguetes de 40 mm, antitanque, explosões e tiros diretos.

Um terço do contingente está permanentemente envolvido na segurança pessoal do papa. Nessa função, vestem elegantes ternos, de corte e confecção creditados à grife Hugo Boss. Fora do Vaticano, o esquema é reforçado pela polícia especial italiana.

Toda a tropa está subordinados ao Ufficio Centrale di Vigilanzia, criado em 1975 pelo papa Paulo VI. O escritório negociou com a fabricante austríaca Glock a produção de uma versão especial da pistola G-17. Leve, a arma utiliza um tipo de munição de alto poder em pequenas distâncias, para reduzir o dano colateral em locais públicos abertos.

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