Seguranças matam estudante que pichava muro no PR

O estudante Bruno Strobel Coelho Santos, de 19 anos, filho do cronista esportivo paranaense Vinícius Coelho, foi morto por três seguranças de uma empresa de vigilância de Curitiba por pichar as paredes de uma clínica no bairro Alto da XV, segundo conclusão da polícia de Almirante Tamandaré, na região metropolitana de Curitiba. O rapaz estava desaparecido desde o dia 2. O corpo foi encontrado no dia 8, em uma ribanceira às margens da Rodovia dos Minérios, em Almirante Tamandaré, na região metropolitana de Curitiba. Os acusados foram presos na madrugada de hoje.De acordo com o delegado de Almirante Tamandaré, Jairo Estorilio, os seguranças confessaram o crime. "As confissões foram tomadas de forma separada e são todas coincidentes, eles nos levaram ao local de forma independente e ninguém acha tão fácil aquele local", afirmou. Santos foi visto pela última vez quando deixava a sede de uma torcida organizada, onde assistira ao jogo do Coritiba contra o Fortaleza. Depois, segundo a polícia, foi flagrado pelos seguranças Marlon Balem Janke, de 30 anos, e Eliandro Luiz Marconcini, de 25, pichando o muro de uma clínica.Eles teriam levado o rapaz até a unidade da empresa Centronic Sistemas de Segurança e Vigilância no Alto da XV, onde Santos foi espancado. Logo depois, colocaram-no no porta-malas de um Gol e levaram-no para Almirante Tamandaré, onde Janke mora. No caminho, pegaram o também segurança Douglas Rodrigo Sampaio Rodrigues, de 26 anos, que trabalha em Almirante Tamandaré, e foram procurar um lugar para deixar o rapaz. "Há uma dúvida sobre se tinham premeditado matar ou iam liberá-lo", afirmou Estorilio.ExecuçãoNo lugar escolhido, Janke, segundo a polícia, teria dado dois tiros na cabeça de Santos com uma pistola sem registro e abandonado o corpo na ribanceira. A polícia pediu também a prisão preventiva de outros três seguranças, que teriam conhecimento ou participaram das torturas na unidade da empresa. "Eles não tiveram envolvimento direto no homicídio, mas antes do crime", disse Estorilio.A empresa de segurança informou, por meio de nota, que o episódio causou "surpresa" e que está colaborando com a polícia no esclarecimento. Segundo a direção, a Centronic tem mais de 600 funcionários, que recebem treinamento adequado e são submetidos a exame psicotécnico. "O resultado desta avaliação é encaminhado à Polícia Federal", acentuou a nota. A empresa afirmou que os investigados nunca deram demonstração de mau comportamento e, após os acontecimentos do dia 2, "não relataram o episódio a superiores e colegas de trabalho".

EVANDRO FADEL, Agencia Estado

17 de outubro de 2007 | 18h54

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