Seis detidos em manifestação na Av. Paulista são liberados

MARIANA LENHARO, do JT,

21 de maio de 2011 | 22h13

Manifestante detido durante marcha deixa o 78º DP; houve pressão para soltura 

 

SÃO PAULO - Seis das oito pessoas detidas pela Polícia Militar neste sábado, 21, foram soltas, de acordo com informações de um policial do 78º Distrito Policial, na rua Estados Unidos, Jardins. Por volta das 22h de sábado, o policial disse ao estadão.com.br, pelo telefone, que não havia nenhuma pessoa presa no local.

 

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Eles foram presos mais cedo na região da avenida Paulista pela participação na Marcha da Maconha, proibida pela Justiça na noite de sexta-feira. De acordo com testemunhas, houve pressão de manifestantes diante do 78º DP para exigir a soltura dos detidos. Não está claro, contudo, se todos os detidos foram liberados pela polícia.

 

A Marcha da Maconha completou seu trajeto entre o vão livre do Masp e a Praça Dom José Gaspar, no centro, como "marcha pela liberdade de expressão", após a proibição imposta na sexta. A manifestação, que começou às 14h, foi marcada pela atuação violenta da PM - a Tropa de Choque usou bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar os manifestantes.

 

Acordo

 

Na sexta-feira, PM e organizadores entraram em acordo e decidiram que a marcha poderia ser feita desde que não houvesse apologia à droga. Dois manifestantes foram levados ao 78º DP, para onde os participantes do ato se dirigiram após a marcha. Os organizadores estimavam que outros quatro manifestantes também teriam sido presos e levados a outros DPs. Não houve confirmação do número por parte da polícia.

 

Segundo o capitão Del Vecchio, responsável pela operação, os manifestantes descumpriram o acordo. "Alguns insistiram em portar objetos que faziam alusão à droga." De acordo com a PM, cerca de 600 pessoas participaram do ato.

 

'Ação abusiva'

 

Para o jornalista Pedro Nogueira, de 25 anos, um dos organizadores do ato, a ação da polícia foi abusiva. "Em todas as manifestações, a polícia faz uma raia para isolar o trânsito e ajuda a organizar o ato. Tentei dialogar com eles, mas começaram a jogar bomba", disse. Ele confirmou o acordo feito com a PM para que não houvesse menção à droga. "É difícil controlar todas as pessoas e algumas realmente fizeram referência à maconha, mas isso não justifica a violência."

 

Entre os hinos dos manifestantes, os mais repetidos eram "Eu sou maconheiro, com muito orgulho, com muito amor" e "Kassab, seu sem vergonha, o busão está mais caro que a maconha".

 

O mestrando em História Júlio Delmanto conta que foi detido no momento em que questionou o capitão Del Vecchio sobre o motivo de a Tropa de Choque ter entrado em ação. "Eles tinham prometido cobertura motorizada da manifestação para zelar pelos manifestantes, mas a minha impressão é que eles chegaram lá dispostos a dispersar", disse Júlio, após ser solto, pouco depois das 18 horas.

 

Contrários

 

Durante a concentração, no vão livre do Masp, cerca de 30 pessoas protestaram contra a marcha. Elas faziam parte dos grupos União Conservadora Cristã, Resistência Nacionalista e Ultradefesa. "Todos aqui são usuários confessos e patrocinam o tráfico, que é feito pelos criminosos mais bárbaros", disse o estudante de Geografia Celso Zenaro, vice-presidente da União Conservadora Cristã.

 

Os organizadores do ato marcaram reunião para quarta-feira para discutir as próximas ações do grupo. Uma nova manifestação, desta vez contra a violência policial, é esperada para sábado, dia 28, às 14h, no vão livre do Masp. Em Jundiaí uma marcha da maconha está programada para o domingo.

 

Atualizada às 22h57

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