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Seis seleções decidem o título da Copa... Dos Refugiados

Segundo o Ministério da Justiça, Brasil tem 5.908 refugiados de diferentes nacionalidades, sem contar os haitianos

Julia Affonso, O Estado de S. Paulo

29 Junho 2014 | 13h29

Na Copa dos Refugiados, um time pode ter torcedores de Palmeiras e do Corinthians jogando juntos de um lado e de Barcelona e do Real Madrid, de outro. A competição tem Luis Fabiano como o 9 e Hulk, o camisa 7. Kaká e Robinho também aparecem, mas ficam nas arquibancadas torcendo. Colômbia, Haiti, Mali, Congo, Costa do Marfim e Síria disputam neste domingo, 29, o título do torneio.

As seleções foram divididas em dois grupos de três, cada um. Quem vencer a Copa, leva uma cópia do troféu do Mundial da Fifa.

"O Mali vai ser o campeão. Temos que jogar com qualidade e não brigar, respeitar o jogo", ensina o meio técnico e meio torcedor Kambon Camara, de 28 anos, que aproveita para palpitar também na Seleção Brasileira. "O meio está fraco. Se o atacante não recebe a bola, como vai marcar (o gol)?"

Ele estudava para entrar em uma faculdade quando saiu do país. No Brasil, espera entrar em um curso, para retomar os planos que interrompeu no Mali. Aqui, trabalha como auxiliar de perfuração de túneis.

"Gosto de tranquilidade. Lá não tem segurança. O país está em guerra civil."

O Brasil tem, segundo o Ministério da Justiça, 5.908 refugiados de diferentes nacionalidades, por motivos de guerra, perseguição política, religiosa e étnica. Os dados foram consolidados em Abril de 2014.

Os números não incluem os haitianos, cerca de 29 mil, que possuem visto humanitário, e são baixos perto dos 51,2 milhões de refugiados que se deslocaram no mundo, de acordo com a ONU. Pela primeira vez na era pós-Segunda Guerra Mundial, a quantidade de pessoas ultrapassou os 50 milhões. 

"Vim procurar um trabalho", conta o haitiano Wilforce Charles, de 23 anos. Ele chegou há três semanas a São Paulo, saindo do Acre, a principal porta de entrada no Brasil para quem viaja do Haiti. Desde o fechamento do abrigo em Brasileia (AC), mais de 450 imigrantes haitianos chegaram à capital paulista.

"O povo é muito hospitaleiro, o país é bom. Estou gostando", diz Charles, que apesar do carinho pelo Brasil não pensa duas vezes para responder quem será o próximo campeão do mundo. "Argentina. Messi é o melhor."

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