Selic deve começar série de alta em abril

Aposta aparece em pesquisa semanal do Banco Central

Fernando Nakagawa, O Estadao de S.Paulo

22 Dezembro 2009 | 00h00

Pesquisa semanal do Banco Central (BC) mostra que o mercado financeiro aposta que o juro básico da economia, a taxa Selic, começará a subir em abril de 2010, dois meses mais cedo que o previsto. Até a semana passada, a expectativa era de que a alta começaria em junho.

O levantamento mostra que no fim de 2010 a alta acumulada no ano será ligeiramente maior que a citada nas pesquisas anteriores. Nesta semana, após a divulgação da ata da reunião de dezembro do Comitê de Política Monetária (Copom), o mercado refez cálculos e passou a prever alta do juro de 0,25 ponto porcentual em abril, o que levaria a taxa Selic para 9% e abriria um novo ciclo de altas.

Seria a primeira elevação do juro básico desde setembro de 2008.

A subida dos juros será necessária, segundo os analistas do mercado, para conter eventuais pressões inflacionárias geradas pela atividade econômica mais forte esperada para o próximo ano. Depois da primeira alta, o mercado crê em outros aumentos da Selic nos encontros de junho, julho, setembro, outubro e dezembro. De acordo com a pesquisa, a Selic deve fechar 2010 em 10,75%, dois pontos porcentuais maior do que o atual. Na semana passada, a estimativa era menor, de 10,63%.

"A inflação tende a ficar bem comportada no primeiro semestre. Porém, ao longo do ano poderemos ter pressões pelo maior aquecimento da economia, que irão gerar aumentos salariais e utilização elevada da capacidade produtiva na indústria", diz em relatório o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto.

Para o analista, a Selic deve começar a subir gradualmente em abril para conter eventuais pressões nos preços. Ao todo, ele prevê alta pouco maior que a estimada pelo mercado: de 2,50 pontos. Campos Neto, porém, não descarta a possibilidade de o BC "aguardar os efeitos da retomada na inflação e nas expectativas". "Neste caso, iniciaria o aumento somente no final do ano, porém a dosagem seria mais elevada." A pesquisa mostrou, ainda, que foi reduzida a projeção de crescimento da economia brasileira em 2010, de 5,03% para 5%. Para 2009, a estimativa é que a econômica deve ter retração de 0,23% na comparação com 2008.

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