Sem acordo, greve da Polícia Civil completa um mês nesta 4ª

Em 4.º protesto, categoria organiza passeata até o Palácio dos Bandeirantes; governo oferece reajuste de 6,2%

Mônica Cardoso e Marcelo Godoy, de O Estado de S. Paulo,

15 de outubro de 2008 | 08h49

A greve da Polícia Civil do Estado de São Paulo completa um mês nesta quarta-feira, 15, sem acordo entre a categoria e o governo. A negociação emperrou no índice de reajuste dos salários. Os policiais reivindicam, no mínimo, dois dígitos de aumento, mas o governo oferece 6,2%. Diante do impasse, os policiais realizam na quinta-feira, 16, passeata até o Palácio dos Bandeirantes, com concentração a partir das 14 horas na Praça Jules Rimet, na frente do Estádio do Morumbi. Os grevistas querem ser recebidos pelo governador José Serra (PSDB).Será a quarta mobilização da categoria, que já fez três passeatas até a Secretaria da Segurança Pública, a Assembléia Legislativa e a Secretaria de Gestão Pública. "A greve continua com a mesma força. No interior, a adesão é ainda maior. Na capital, a maior parte dos distritos policiais está em funcionamento padrão. Alguns distritos, por serem seccionais, como o de Santa Ifigênia, Pinheiros e Sacomã, continuam com o atendimento normal", afirma Sérgio Marcos Roque, presidente da Associação dos Delegados do Estado de São Paulo.Na semana passada, a categoria suspendeu a greve por 48 horas, na tentativa de dialogar com o governo. "Mas não recebemos nenhuma proposta concreta. O governo continua intransigente", diz Roque. Na terça, ele esteve em Brasília para conseguir o apoio de deputados federais e senadores para que as negociações com o governo sejam retomadas e nova proposta seja feita.A Secretaria de Gestão Pública reafirmou, por nota, as propostas à categoria. O governo propõe aumento linear de 6,2% a policiais civis da ativa, aposentados e pensionistas; aposentadoria especial; reestruturação das carreiras com a eliminação da 5ª classe e a transformação da 4ª classe em estágio probatório; e a fixação de intervalos salariais de 10,5% entre as classes. O presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, José Leal, contesta a secretaria. "O governo não procurou os policiais para discutir a questão da reestruturação. E nem tocou no assunto da incorporação dos adicionais no salário da aposentaria", diz. Segundo ele, os profissionais perdem a remuneração adicional quando se aposentam. O governo ofereceu a extinção do nível mais baixo da gratificação de localidade e informou que a incorporação nos salários das gratificações significaria um gasto de R$ 1,8 bilhão por ano. Mas o maior motivo de desacordo ainda é o índice de reajuste. Os policiais já chegaram a pedir 15% para este ano e 12% para os dois anos seguintes.AtendimentosPara atender à demanda reprimida causada pela greve, a Polícia Militar já registrou 6.637 boletins de ocorrência entre 16 de setembro e o dia 12 deste mês. Uma cópia de cada registro é enviada ao Ministério Público Estadual. A maior parte dos DPs registra apenas ocorrências graves, como homicídios e roubos, e recomenda fazer BOs pela internet. Antes da greve, eram 1,6 mil boletins eletrônicos por dia e agora a média é de 2,5 mil. A bancária Maria de Medeiros, de 23 anos, tentou registrar o furto da carteira pela internet. "Preenchi o formulário três vezes, mas o sistema apontava erro." Ela decidiu ir ao 1º DP (Sé). A ajudante-geral Josiane Araújo, de 29 anos, grávida de 5 meses, desistiu de registrar o furto da carteira após quase duas horas de espera no DP da Sé. "Estou com muita tontura e dor nas pernas. Perguntei se havia atendimento preferencial, mas o atendente disse que não." Reivindicações  15% de reposição salarial este ano, mais 12% em 2009 e outros 12% em 2010;Eleição para delegado geral, além da definição de critérios para promoção; Regulamentação da aposentadoria após 30 anos de carreira; Fixação de carga horária em 40 horas semanais. Alternativas É possível registrar no link Delegacia Eletrônica casos de furtos de veículos, documentos, placas de veículos, celular e desaparecimento e encontro de pessoas;A Secretaria da Segurança Pública criou um serviço de atendimento pelo telefone (11) 3291-6500 ou pelo e-mail: segurança@ssp.sp.gov.br var keywords = "";

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