Sem alerta formal, orientação varia de acordo com médico

Coordenadora do estudo no Inca, porém, reforça que nenhum produto químico deve ser usado durante a gravidez

Fernanda Bassette e Felipe Oda, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2011 | 00h00

Não existe uma recomendação formal que proíba as mulheres grávidas de usar produtos para tingir ou alisar os cabelos durante a gravidez. O que há é uma cautela geral - por parte dos médicos e das próprias gestantes -, exatamente por causa da falta de estudos que apontem os riscos do uso desses produtos.

Segundo o ginecologista Antônio Moron, da Unifesp, hoje em dia existe uma tolerância maior ao uso desses produtos teoricamente mais modernos e menos perigosos. De acordo com ele, os médicos costumam liberar o uso a partir do quarto mês de gestação. "A gente libera a henna por ser um produto natural", afirma.

Mesmo assim, ele considera os resultados do estudo importantes para fazer um alerta. "Embora preliminares, os dados apontam uma associação significativa. No mínimo, a partir de agora vamos ter mais cautela."

Para o hematologista Vanderson Rocha, do Hospital Sírio-Libanês, vários estudos tentam descobrir as causas da leucemia nos primeiros anos de vida, mas esse é o primeiro a fazer uma associação direta.

"O fato de a pesquisa ser retrospectiva - ou seja, a doença tem de se manifestar para depois ser pesquisada - é um fator limitante do trabalho. Ainda é um primeiro estudo, mas ele abre portas para outros", diz.

Para Rocha, uma próxima etapa seria avaliar qual o componente químico leva ao câncer e de que maneira ele atua. "Enquanto isso não acontece, toda gestante deve evitar ter contato com produtos químicos", diz.

Maria do Socorro Pombo-de-Oliveira, do Inca, reforça que nenhuma química deve ser usada nos cabelos em nenhuma fase da gravidez, nem mesmo a henna. "A substância da henna atua em uma enzima importante no desenvolvimento das leucemias. Então, mesmo sendo natural, ela pode interagir e trazer riscos para o bebê do mesmo jeito."

Celso Junior, diretor da Associação Brasileira de Cosmetologia, também concorda que não é aconselhável tingir os cabelos na gravidez. "Podem ocorrer reações alérgicas e, além disso, é muito difícil estabelecer níveis de riscos para cada momento da gestação".

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