Sem bolsa do MEC, Andifes busca parceria

Auxílio ao bolsista do Ciência sem Fronteiras é quase cinco vezes maior ao que é pago ao intercambista nacional

O Estado de S.Paulo

11 de março de 2013 | 02h06

Pela inexistência de bolsas federais voltadas para o Programa Nacional de Mobilidade Estudantil, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) decidiu firmar parceria com o Banco Santander para, até 2013, permitir a concessão de auxílio de R$ 2.500 (R$ 500 mensais durante 5 meses) para o alunos interessados no intercâmbio nacional. Com a parceria, desde 2010, cerca de 110 bolsas são concedidas por semestre para as 59 federais.

"O problema é que há sobra de bolsas. Há universidades que não as utilizam, talvez por falta de alunos interessados ou falta de divulgação", diz o secretário executivo da Andifes, Gustavo Balduíno.

O valor total do auxílio atualmente concedido ao intercambista nacional é quase cinco vezes menor que o valor recebido por bolsistas do Ciência sem Fronteiras no mesmo período de mobilidade.

Para esse cálculo nem sequer foram considerados outros auxílios que o universitário tem direito ao ganhar uma bolsa para estudos no exterior. Entre as vantagens do Ciência sem Fronteiras, estão bolsas para auxílio de instalação, compra de material didático e seguro saúde, além de recursos adicionais para estudantes que estão em cidades mais caras.

O Ministério da Educação (MEC) informou que "cabe a cada instituição, no âmbito de sua autonomia, ofertar bolsas e auxílios para alunos em mobilidade acadêmica". Segundo a pasta, os recursos poderiam vir do Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), que para este ano conta com uma previsão de recursos de R$ 603 milhões. Os recursos do Pnaes, contudo, são direcionados apenas a estudantes de baixa renda.

Além da falta de bolsas para custear as despesas de estudantes que pretendem fazer a mobilidade nacional, quem já passou pela experiência aponta outros problemas.

A ausência de um plano de estudos direcionado ao melhor aproveitamento do intercâmbio, por exemplo, foi uma das ausências notadas pelo estudante de Publicidade da Universidade Federal de Goiás (UFG), Iago Rocha, de 19 anos. Ele decidiu realizar o 4º período do curso na Federal de Minas Gerais (UFMG), no segundo semestre de 2012.

Segundo ele, não houve nenhum planejamento prévio das disciplinas que serão cursadas na universidade de destino, algo que deveria ser feito pelos coordenadores acadêmicos. Além disso, mesmo envolvendo cursos iguais, as disciplinas são bastante diferentes. "Mesmo indo para o 5º período, ainda vou ficar com um pé no 4º, porque acabei atrasando umas matérias. A UFMG é mais teórica."

Mas essas questões não o incomodam. "Não tenho problema em atrasar o curso. Adorei a experiência e o aprendizado cultural", diz. E tudo só foi possível por determinação própria. "Fui eu que fui atrás de tudo, da vaga no programa à bolsa do Santander", diz Rocha. / D.L.

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