Sem fronteiras

Presidente do Salão do Móvel de Milão destaca atualidade do móvel italiano nos 50 anos da feira

Marcelo Lima - O Estado de S. Paulo,

13 de abril de 2011 | 07h00

Presidente da Cosmit, Carlo Guglielmi, durante entrevista em Milão, da qual o Casa participou 

 

Ao italiano Carlo Guglielmi, que tem formação em economia, provavelmente nunca ocorrera a ideia de estar tão fortemente vinculado ao mundo da criação e do design. Mas, como ex-presidente da Fontana Arte, uma das companhias referenciais da iluminação italiana, e, desde 2008, presidente do Cosmit, empresa responsável pela organização do Salão Internacional do Móvel de Milão, poucos assuntos hoje lhe dizem mais respeito do que criatividade e cultura. Ingredientes que, segundo ele, não vão faltar nas celebrações dos 50 anos do mais importante evento mundial de design, que abre suas portas na terça-feira, esperando receber 5 mil brasileiros. "Desde o início, não era nosso objetivo celebrar os 50 anos, mas montar eventos capazes de emocionar e educar", afirmou Guglielmi, em entrevista ao Casa, durante o lançamento da edição 2011, em fevereiro, em Milão. Confira trechos da conversa.

 

O senhor já afirmou não acreditar que apenas o fato de ter sido produzido na Itália faria do móvel italiano algo tão desejado em todo o mundo. Mas que cada peça produzida no país carregaria consigo algo muito mais complexo e sedutor. Poderia explicar melhor essa ideia?

"Made in Italy" significa, por certo, o que é feito na Itália, mas acredito que a abrangência desse conceito entre nós, designers e produtores italianos, é bem mais ampla. Comporta um modo, um estilo de vida reconhecível como italiano. Resultado de uma atitude sedimentada por gerações e gerações. Trata-se de uma cultura do produto, ou, em outras palavras, da habilidade de nossos artesãos de criar e aperfeiçoar as criações dos designers. É esse know-how que faz nossos móveis serem apreciados e reconhecidos em todo o mundo. Algo que uma cópia não poderá nunca alcançar.

 

Aos 50 anos, o Salão do Móvel de Milão mantém sua dianteira entre os acontecimentos internacionais do setor. Por quê?

Porque temos procurado não ceder aos ditames do mercado e sempre focar na qualidade do que é mostrado. Ao mesmo tempo, tentamos apresentar o design como um bem cultural, oferecendo uma ampla oferta de produtos: de mostras dedicadas aos grandes mestres, como Bruno Munari, Vico Magistretti e Sottsass, a eventos dirigidos ao grande público, como a instalação multimídia apresentada por Peter Greenamwy em 2008 usando uma reprodução de A Última Ceia, de Leonardo da Vinci.

 

Como foram escolhidos os eventos para as celebrações dos 50 anos do salão?

O evento chave foi concebido como um tributo aos grande nomes de nosso design: uma peça de teatro, interpretada pela atriz Laura Curino, montada com base no pensamento de mestres do nosso design, como Castiglioni, Magistretti, Viganò e Zanuso. E também de empresários como Cassina, Castelli, Gandini e Barassi. Na praça Duomo, emblematicamente o coração de Milão, teremos Principia, exposição que enfoca os princípios da ciência como fontes perenes da criação artística. Em ano de Euroluce, nossa mostra de iluminação, Cuorebosco, também no centro da cidade, pretende encher de luz e poesia, nossa enevoada cidade. Por fim, a Triennale di Milano vai abrigar, até fevereiro do ano que vem, uma exposição dedicada aos homens e às empresas que contribuíram para criar o sistema design italiano.

 

Como o senhor vê a atual crise do setor moveleiro na Europa, que tem enfrentado baixo crescimento nos últimos dois anos?

Como todos, com grande apreensão. Como se não bastassem as incertezas da economia, os acontecimentos nos países do norte da África são motivo de preocupação. É difícil imaginar uma política abrangente, capaz de equacionar nossos problemas em nível europeu, sem um mínimo de serenidade.

 

Durante todos esses anos, o senhor conviveu com alguns dos mais importantes designers italianos de todos os tempos. Quais foram os melhores momentos?

Toda vez que me defrontei com um designer, sempre me pareceu ser a primeira vez. Vivi, no entanto, momentos de grande emoção ao lado de nomes como Gae Aulenti, Vico Magistretti, Pierluigi Cerri e Ettore Sottsass. Estes foram inesquecíveis.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.