Sem pressa, o verde vai chegando...

O consumo de vinhos de rótulo verde em São Paulo está aumentando, mas de maneira gradativa. No Fasano, em São Paulo, o primeiro rótulo natural entrou na carta há nove anos. Hoje, eles são seis.

MARÍLIA MIRAGAIA, O Estado de S.Paulo

07 Agosto 2014 | 02h08

"O Brasil começou a aceitar cervejas peculiares, com sabores mais amargos e ingredientes não usuais. É um bom paralelo com o mercado dos vinhos naturais", diz Manoel Beato, sommelier do Grupo Fasano.

Para Beato, são vinhos que "precisam de bula": requerem explicação e precisam ser oferecidos ao cliente - normalmente, na casa, ainda são poucos os clientes que buscam por eles.

E por que tê-los, então, na carta? "Para sair do trivial, apresentar novidades. É um estilo bem particular. Mas quando se encontram bons produtores, os naturais podem ser excepcionais e ter, inclusive, preços inferiores", diz o sommelier.

No Maní, são em torno de 15 rótulos naturais, orgânicos ou biológicos, em que a vinícola preza pela sustentabilidade.

A Adega Santiago também serve os chamados vinhos ecológicos. Para Rafael Goulart, que cuida dos vinhos da casa, esses rótulos são alternativas "difíceis" de ter na carta. "Você tem que explicar ao cliente. Alguns são turvos, outros têm aromas mais selvagens, como azeitonas pretas", diz o sommelier.

No endereço, a procura por tintos, roses, brancos e espumantes naturais, orgânicos e biodinâmicos - começou há cerca de cinco anos. Quem chega pedindo esse tipo de vinho está geralmente em busca, além de novidades, de uma bebida com menos aditivos.

Esses vinhos começaram a ser incluídos na carta por volta de 2006, quando, a tendência começou a se fortalecer na Península Ibérica.

A Adega Santiago importa diretamente cinco rótulos naturais da produtora siciliana Arianna Occhipinti. Também oferece opções orgânicas e biodinâmicas, que somam quase 30 rótulos.

Em breve, a Adega Santiago pretende destacar em sua carta uma página para vinhos naturais, biodinâmicos e orgânicos com a intenção de facilitar a escolha dos clientes.

A Casa Europa, do mesmo grupo da Adega Santiago, dispõe de 29 rótulos naturais, orgânicos e biodinâmicos. Paulo Neto, sommelier do restaurante, gosta de frisar que o critério para escolher um vinho é a qualidade - independente da filosofia com a qual é produzido.

Mas, para ele, os vinhos dessas categorias podem ser considerados superiores aos "convencionais" de mesmo preço.

O endereço, que funciona como importadora, armazém e restaurante, vai ampliar a oferta de vinhos naturais, nos próximos dois meses. Terá ao todo seis rótulos, de Arianna Occhipinti. As bebidas podem ser compradas para levar para casa.

Verdes."Vinhos naturais são uma tendência no mundo e o Brasil não fica de fora", diz a sommelière do D.O.M, Gabriela Monteleone.

"Os produtores estão procurando usar métodos mais sustentáveis, sem aplicar defensivos e nem abusar dos conservantes". Isso explica o crescimento da oferta desses vinhos pelo mundo e por aqui.

No D.O.M, a maior parte dos rótulos, cerca de 180, são naturais. Mas a carta também inclui biodinâmicos e orgânicos.

/ COLABOROU MÍRIAM CASTRO

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