Sem surpresas, Copom reduz Selic em mais 0,5 ponto

O Banco Central reduziu a taxa básica de juros em 0,5 ponto nesta quarta-feira, para 11,5 por cento ao ano, em meio a um cenário de crescente deterioração externa e de evidências de desaceleração da economia doméstica.

ISABEL VERSIANI E TIAGO PARIZ, REUTERS

19 Outubro 2011 | 20h13

A decisão veio em linha com o esperado pela maioria dos analistas de mercado, que consideravam o corte de 0,5 ponto compatível com o discurso de "ajustes moderados" na política monetária defendido pelo BC nas últimas semanas. Pesquisa Reuters mostrou 22 de 26 instituições prevendo redução para 11,5 por cento.

Em curto comunicado divulgado no anúncio da decisão, o Comitê de Política Monetária reiterou o recado da moderação.

"Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 11,50% ao ano, sem viés. O Copom entende que, ao tempestivamente mitigar os efeitos vindos de um ambiente global mais restritivo, um ajuste moderado no nível da taxa básica é consistente com o cenário de convergência da inflação para a meta em 2012".

No final de agosto, o Copom chocou o mercado ao promover um corte de 0,5 ponto na Selic após um ciclo de cinco altas seguidas, justificando a decisão devido ao cenário externo adverso.

Havia um consenso naquele momento entre os analistas de que o juro seria mantido, apesar da forte turbulência externa, uma vez que a inflação doméstica estava correndo acima do teto da meta. No mercado de juros futuros, porém, já havia algumas apostas de corte de 0,25 ponto.

A decisão do BC gerou fortes críticas de economistas ao BC de Alexandre Tombini. Mas desde agosto o cenário externo se deteriorou ainda mais, com a contínua indefinição para um desfecho da crise da dívida da zona do euro. Embora a Grécia esteja sendo o foco principal, Itália, Espanha e Portugal também seguem no turbilhão.

Internamente, a economia doméstica sofreu desaceleração maior que a esperada por analistas em agosto, segundo o Índice de Atividade Econômica do BC, considerado dado antecedente do Produto Interno Bruto, que mostrou queda de 0,53 por cento ante julho.

Também em agosto, as vendas no varejo tiveram a primeira queda na comparação mensal desde abril, e a atividade industrial apresentou ligeira retração. Em setembro, a produção de veículos despencou 19,7 por cento ante o mês anterior.

A inflação, contudo, segue sendo uma preocupação importante. As expectativas do mercado para a inflação no ano que vem crescem há sete semanas, segundo a sondagem Focus do BC, e estão em 5,61 por cento --bem acima da meta central de 4,5 por cento que o BC insiste que será alcançada em 2012.

Para este ano, as projeções do mercado são de uma inflação de 6,52 por cento, acima do teto de meta, de 6,50 por cento. Em setembro, o IPCA, índice de preços ao consumidor que é usado como parâmetro para o regime de metas, registrou alta de 7,31 por cento no acumulado em 12 meses.

O Copom voltará a se reunir nos dias 29 e 30 de novembro.

(Reportagem adicional de Asher Levine)

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