Sem ter quem ouvir, CPI deve focar trabalho em quebras de sigilo

A CPI do Cachoeira deve concentrar seus esforços na quinta-feira para aprovar requerimentos de quebras de sigilo das empresas envolvidas com a rede liderada por Carlinhos Cachoeira e de convocação de pessoas ligadas a ele.

REUTERS

16 Maio 2012 | 20h46

Foi a alternativa que restou aos parlamentares depois que o próprio Cachoeira conseguiu liminar no Supremo Tribunal Federal (STF) para adiar seu depoimento à comissão e os procuradores que trabalham na investigação da operação Monte Carlo, da Polícia Federal, informaram que só poderão prestar esclarecimentos à CPI em junho.

Mas nem por isso a reunião administrativa da comissão deixará de ser polêmica. As estratégias diferentes de governo e oposição devem ditar o intenso debate.

PT e PMDB, por exemplo, defendem que a comissão se restrinja a aprovação de requerimentos pedindo quebras de sigilos bancário, fiscal e telefônico das empresas de Cachoeira ou que mantinham relação com o empresário.

O relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), deve levar essa tese ao plenário, segundo relato de parlamentares do PT que se reuniram com ele nesta quarta-feira. Até agora, a CPI só quebrou o sigilo bancário e fiscal pessoais de Cachoeira.

Mas parte da oposição não quer limitar a investigação e quer convocar, pelo menos, o ex-diretor da construtora Delta no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, e o ex-presidente da empreiteira, Fernando Cavendish.

"Não podemos deixar de convocar o Cavendish, o Cláudio Abreu e os governadores (de Goiás) Marconi Perillo (PSDB), (do Distrito Federal) Agnelo Queiroz (PT) e (do Rio de Janeiro) Sérgio Cabral (PMDB)", disse a jornalistas nesta quarta o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

Além de ser alvo das investigações da CPI, a Delta também está na mira do Ministério Público no Rio de Janeiro. A procuradoria-geral da República do Rio decidiu investigar a negociação de venda da construtora para o grupo J&F Participações, que controla o frigorífico JBS.

Um dos requerimentos apresentados na CPI e que pode ser votado na quinta pede a convocação do presidente do Grupo JBS, Wesley Batista, e do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, para explicar a negociação. O BNDES tem participação acionária no Grupo JBS.

Já o PSDB só aceita convocar Perillo se os outros dois governadores citados por Randolfe também forem convocados. PT e PMDB resistem à essa possibilidade.

"Eu quero que a sessão de amanhã seja muito produtiva para a CPI. Temos que aprovar o máximo possível de requerimentos. Temos que dar fluxo aos trabalhos", disse o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). Ele, porém, não vê necessidade de chamar novas pessoas para depor imediatamente e aposta que na próxima terça-feira Cachoeira será obrigado a atender a convocação da CPI para depor.

"Todas as condições de acesso e de interpretação ao material estão sendo dadas aos parlamentares, aos assistentes e agora aos advogados (dos acusados). Entendemos que estamos absolutamente de acordo com a decisão do Supremo Tribunal Federal. A expectativa é que ele (Cachoeira) cumpra a ordem da comissão", disse o presidente da CPI nesta quarta.

Na terça-feira, os membros da comissão aprovaram um requerimento dando acesso a todos os advogados dos acusados aos processos enviados pelo Poder Judiciário e pedindo que o STF reveja a decisão liminar do ministro Celso de Mello que suspendeu o depoimento de Cachoeira. A CPI o reconvocou.

Há o temor dos parlamentares de que novas decisões liminares travem todos os depoimentos de pessoas convocadas.

(Reportagem de Jeferson Ribeiro)

Mais conteúdo sobre:
POLITICA CPI SIGILOS*

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.