Sem-terra acusam ruralistas de agressão no RS

Cerca de 500 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que marcham de Capão do Leão e Coqueiros do Sul, em uma manifestação que pede pressa na reforma agrária, relataram ter sofrido diversas agressões de ruralistas na noite de ontem e na madrugada de hoje no ginásio de esportes da sede campestre do Clube Recreativo Brasileiro, em Bagé. O grupo parou por cinco dias na cidade da região sul do Rio Grande do Sul para debater sua causa com estudantes e o movimento social. Na sexta-feira, deve seguir para Caçapava do Sul. Segundo os sem-terra, a caixa de energia do ginásio de Bagé foi depredada e tentativas de consertá-la foram impedidas por fazendeiros que acamparam do lado de fora para mantê-los intimidados e sob pressão. O carro do frei Wilson Zanatta, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), teve vidros quebrados e pneus cortados, e ele afirmou ter recebido ameaças. Pelos fazendeiros, o diretor de assuntos fundiários da Federação da Agricultura no Rio Grande do Sul (Farsul), Gedeão Pereira, nega qualquer ataque.O clima de tensão levou o defensor público da União em Bagé, Robson de Souza, a pedir que a Polícia Federal investigue as agressões e o porte ilegal de armas por parte dos fazendeiros. A Polícia Rodoviária Federal vai acompanhar os deslocamentos que os sem-terra farão nos próximos dias. "Não há como a Brigada Militar (a polícia militar gaúcha) garantir a segurança dos integrantes da marcha, pois, durante a madrugada, não conseguiu controlar os ruralistas", justifica Souza. Rigor e CondescendênciaOs sem-terra acusam a Brigada Militar de rigor excessivo contra eles, com revistas minuciosas e apreensão de objetos de trabalho como foices e facões, e de condescendência com o porte ilegal de armas de fogo e com as provocações dos ruralistas. O subcomandante geral da corporação, coronel Paulo Mendes, diz que marchas cívicas não comportam foices e facões. Ele afirmou que gostaria de ver as manifestações do MST desativadas, e vai pedir ao Ministério Público que tome providência para desestimular as marchas dos sem-terra pelas estradas gaúchas. Além do grupo de Bagé, outras duas colunas de sem-terra se deslocam para o mesmo destino, onde querem chegar no início de outubro. Uma delas se transferiu de Canoas para São Leopoldo, na região metropolitana de Porto Alegre. A outra permaneceu estacionada em Santo Ângelo, no oeste do Estado.

ELDER OGLIARI, Agencia Estado

18 de setembro de 2007 | 21h47

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