Sem-terra invadem duas fazendas no Paraná

Cerca de mil integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam, na madrugada de sábado, a Fazenda Mestiça, no município de Rio Branco do Ivaí, região central do Paraná. Em Cornélio Procópio, no norte do Estado, 600 sem-terra invadiram a Fazenda Santa Alice. Os números foram divulgados pelo movimento que afirmou, em nota, que o objetivo das ações é pressionar o governo federal para que realize a reforma agrária.Segundo Flávio Ferreira, funcionário da Fazenda Mestiça, cerca de 30 homens armados chegaram à propriedade por volta das 5 horas da manhã. Nove famílias de funcionários estavam na fazenda, e só conseguiram sair às 19 horas, com ordem para que tirassem tudo. Maquinários e parte das cerca de 5 mil cabeças de gado foram retirados ontem. "Apesar de não estar na época do abate, os mais gordos vão para o frigorífico, enquanto, para os outros, vamos alugar pasto", disse Ferreira. Segundo ele, de sábado para domingo, os sem-terra mataram pelo menos 30 bois.Além de gado, a fazenda, de pouco mais de mil alqueires, produz milho, soja, aveia e feijão. No Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), não há nenhum processo de compra ou desapropriação da propriedade. Ferreira disse que os advogados entrariam com pedido de reintegração de posse. De acordo com o comandante da 2ª Companhia da Polícia Militar em Ivaiporã, capitão José Francisco Cardoso, o arrendatário de uma fazenda vizinha comunicou que os sem-terra deram prazo de dez dias para que faça a colheita, porque ela também será invadida. As lideranças do MST não se pronunciaram sobre o assunto.Na Fazenda Santa Alice, que tem quase o mesmo tamanho da Mestiça, havia cerca de dez arrendatários que criavam gado e plantavam milho e trigo, segundo a Polícia Militar. Não houve agressões nem prisões. Os manifestantes não receberam interdito proibitório apresentado por um oficial de justiça. O Incra informou que um dos sócios-proprietários da área apresentou oferta de venda em 2005. No entanto, os outros dois não concordaram e, por isso, o instituto não prosseguiu nas conversas, aguardando que haja desmembramento.

EVANDRO FADEL, Agencia Estado

03 de setembro de 2007 | 17h59

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