Sem-teto são abrigados em vestiário de clube em SP

Cerca de 30 sem-teto foram alojados pela Prefeitura nos vestiários das piscinas do Clube-Escola Pelezão, no Alto da Lapa, zona oeste de São Paulo. Há 11 dias, as 12 famílias ficaram sem seus barracos, após incêndio na Favela do Humaitá, ao lado da Vila Leopoldina. Sem ter onde colocá-los, o governo improvisou um "albergue" dentro do clube municipal.

DIEGO ZANCHETTA E RODRIGO BURGARELLI, Agência Estado

07 de agosto de 2012 | 10h41

As famílias recebem duas refeições diárias enviadas em marmitex pela Secretaria Municipal de Assistência Social, além de caixas de leite integral e pães. Vigias do clube, considerado modelo entre mais de 200 unidades esportivas da Prefeitura, dizem que a presença dos sem-teto tem afastado os usuários do bairro.

Eliete Barbosa, de 30 anos, líder dos sem-teto, afirma que nenhuma família vai deixar o local antes de receber o bolsa-aluguel de R$ 300 oferecido pela Prefeitura. Onze crianças estão entre as famílias que moram nos vestiários do clube-escola.

"Não está faltando nada aqui. Toda hora a Prefeitura manda marmitex, leite, achocolatado. Tem água quente, luz. Só vamos sair assim que alguém garantir bolsa-aluguel para todo mundo", afirmou.

O incêndio atingiu 114 barracos e deixou 450 pessoas sem casa. Apesar das grandes proporções, não deixou vítimas. No dia 29, a Defesa Civil realocou cerca de 20 pessoas no Pelezão. "Mas acabou chegando mais gente, ninguém tinha para onde ir nem o que comer. Agora está esvaziando de novo, o pessoal está voltando para a favela", afirma a líder dos sem-teto.

Um dos homens que perderam o barraco diz deixar colchão e roupas nos vestiários e à noite vai dormir na casa dos pais, em Guarulhos. "Se sair daqui de vez perco a ajuda para o aluguel", admitiu.

Ao todo, 145 famílias que perderam seus barracos no incêndio foram cadastradas no Plano Municipal de Habitação da Prefeitura. O bolsa-aluguel só poderá ser concedido para quem estava em moradias regulares - a maior parte das que foram destruídas, porém, estava em um núcleo montado ilegalmente em propriedade particular, segundo a Defesa Civil.

A Assessoria de Imprensa da Prefeitura informou que 70 famílias atingidas pelo incêndio receberão "auxílio aluguel emergencial e depois serão encaminhadas para o Programa de Parceria Social". Segundo o governo, restam apenas sete famílias no Clube-Escola Pelezão, que serão cadastradas amanhã pela Secretaria Municipal de Habitação e devem receber bolsa-aluguel a partir da próxima semana.

Estrutura

O Clube-Escola Pelezão fica em uma área de 60 mil m² com 12 quadras de tênis, quatro piscinas, campo de futebol e pista de cooper. É uma das poucas unidades esportivas municipais com aulas de circo. Funcionários e usuários lamentaram o fato de a Prefeitura não oferecer moradia adequada aos sem-teto.

"Como pode a Prefeitura transformar em abrigo para desalojados de incêndio o único clube público e bem conservado da região? Lutamos durante dez anos para reformar o clube, as piscinas, e agora fazem isso", reclama Laerte Márcio Stocco, de 51 anos. Ontem à tarde, o número de sem-teto circulando pelo clube era bem maior do que o de usuários. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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