Semeadura de soja e milho está atrasada

Falta de chuva impede o cultivo, que poderia ser feito até dezembro com o risco, porém, de afetar o plantio da safrinha

Fábio Marin, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2007 | 02h38

A primeira semana de outubro foi marcada pela continuidade da estiagem, alta temperatura e baixa umidade do ar. A máxima passou dos 36 graus em Barretos e Votuporanga e chegou aos 39 em Ilha Solteira. A mínima oscilou entre 15 e 17 graus na maioria das localidades.Com a manutenção da estiagem, o armazenamento hídrico do solo continua em ritmo de queda e já está abaixo dos 10% em praticamente todo o Estado, impedindo o preparo do solo no sistema convencional, e o início da semeadura do milho e da soja em Miguelópolis, Altinópolis, Palmital e Guaíra. Apesar do período recomendado pelo zoneamento agrícola para essas culturas estender-se até dezembro, esse atraso preocupa porque pode comprometer a safrinha do próximo ano.PECUÁRIAA seca também dificulta a atividade pecuária, afetando os preços por causa da oscilação de oferta de gado. Para os produtores de leite a dificuldade tem sido o alto custo de produção decorrente da falta de pasto para as vacas.O tempo seco favoreceu a colheita da uva em Jales e Urânia; da jabuticaba em Casa Branca; da banana em Iguape e Registro; do pêssego em Paranapanema; da alcachofra em Piedade; da mandioca em Presidente Prudente; do tomate em Apiaí e Mogi-Guaçu e a extração do látex em São José do Rio Preto e Votuporanga.Nos pomares de citros a estiagem, associada à baixa umidade do solo, já causa queda de frutos. Com isso, os produtores têm se apressado em entregar a produção à indústria para evitar prejuízos, sem deixar de se preocupar com os efeitos da estiagem na próxima safra.Nos cafezais de Espírito Santo do Pinhal, Franca e Ribeirão Corrente, além da expectativa quanto ao efeito da estiagem sobre o desenvolvimento da próxima safra, outro fator de preocupação é a ocorrência de pragas, que se aproveitam do baixo vigor das plantas e agravam a situação.A umidade relativa do ar caiu abaixo dos 20% nos horários mais quentes do dia em boa parte do interior paulista, levando à proibição da queimada dos canaviais durante o dia. Isso, porém, não afetou a colheita da cana, que prosseguiu com boa eficiência no corte e no transporte.*Fábio Marin é pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária. Para maisinformações sobre tempo e clima no Brasil, acesse www.agritempo.gov.br

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