Semente híbrida torna produção viável

Arroz trazido do Sul para as várzeas de São Paulo rende mais do que o dobro das variedades pré-germinadas

João Carlos de Faria, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2008 | 01h46

Na Fazenda Sapucaia, em Pindamonhangaba (SP), tradicional produtora de cachaça e de arroz, a novidade é o plantio com semente híbrida de arroz. O interesse por esse tipo de cultivo foi despertado depois de uma viagem feita pelo gerente, Fábio Luiz Simões Homem de Melo, ao Rio Grande do Sul, para uma visita técnica.No ano passado, experimentalmente, foi cultivado meio hectare, com sementes da Raice-Tec, vindas do Rio Grande do Sul, com plantio feito em terra preta, com plantadeira.Foram colhidas 120 sacas por hectare, rendimento maior que o dobro da produtividade média conseguida com as variedades pré-germinadas normalmente utilizadas na região. O resultado animou o gerente, que neste ano quer cultivar 60 hectares. ''O híbrido já é uma realidade para nós aqui'', afirma Melo. Uma das vantagens, segundo ele, é o ciclo mais curto da cultura, que fica no ponto de colheita em apenas 130 dias.DIVERSIFICAÇÃO NA VÁRZEAEm Taubaté, para a tradicional família Mariotto, com quase 90 anos de cultivo na várzea do Rio Paraíba do Sul, a utilização da várzea para outras culturas já é um fato consumado há mais de uma década. Apesar da tradição, a família está sempre à frente, quando se trata de novidades.Seguindo a máxima do patriarca, Renato Mariotto, de que a diversificação é importante para garantir a rentabilidade da propriedade, os filhos, Renato Mariotto Júnior e Pedro Mariotto Neto, continuam firmes na produção de soja, milho, aveia, triticale e até num experimento de girassol.MILHOAliás, já faz tempo que a família trocou o arroz pelo milho, como carro-chefe da lavoura, ganhando inclusive alguns importantes prêmios de produtividade, com índices de até 16 mil quilos por hectare. Comercialmente, já chegaram a 9 mil quilos/hectare.''Desistimos do arroz porque é uma cultura que tem muitos problemas com sementes contaminadas, falta de água e um alto custo de produção, aliado ao preço ruim na hora de vender'', resume, taxativamente, o produtor Renato Mariotto Júnior.Hoje, segundo ele, os 600 hectares antes utilizados para o cultivo de arroz são divididos entre as culturas já citadas. Na safra são 200 hectares de soja, 200 de milho e 150 com outras culturas, como aveia branca e triticale. ''A diversificação tem dado resultado, com mais liquidez para a safra'', afirma Mariotto. J.C.F.INFORMAÇÕES: Núcleo de Taubaté, tel. (0--12) 3632-0867

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