Senado do Afeganistão apoia decreto de Karzai sobre eleições

O Senado afegão apoiou, neste sábado, um decreto do presidente Hamid Karzai, que limita o papel de estrangeiros nas eleições, e lhe dá a vitória numa disputa que levou a uma briga com a Casa Branca.

REUTERS

03 de abril de 2010 | 14h06

Uma discussão complicada sobre como realizar as eleições parlamentares de setembro se tornou um enorme pomo da discórdia no país, que levou a um comentário antiocidental de Karzai na quinta-feira e que gerou uma forte censura de Washington.

Karzai emitiu o decreto em fevereiro, tirando a autoridade das Nações Unidas de escolher a maioria dos membros de um grupo de observadores contra a fraude eleitoral, assumindo ele esse poder.

Na quarta-feira, a Câmara de Deputados eleita, por decisão unânime, optou por derrubar o decreto de Karzai. Mas a liderança do Senado excluiu a proposta da Câmara de sua agenda neste sábado, o que significa que o veto não será votado lá, o que, aparentemente, garante ainda a validade do decreto.

Fazl Hadi Muslimyar, líder do Senado, disse à Reuters que os líderes concluíram que o parlamento não tinha poder suficiente para mandar nas leis eleitorais, a um ano das eleições e que, portanto, não podia vetar um item na ordem do dia.

O deputado Ahmed Behzad, crítico de Karzai, acusou o presidente de pressionar o Senado a apoiar seu decreto. Karzai escolhe um terço dos membros do Senado. "Acho que houve pressão do palácio, de Karzai e do senado," disse à Reuters.

(Reportagem Sayed Salahuddin e Peter Graff)

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