Senado repudia uso de bala de borracha em protesto

O primeiro vice-presidente do Senado, o petista Jorge Viana (AC), cobrou nesta segunda-feira do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, um "posicionamento mais claro" sobre o uso de balas de borracha em manifestações, como as passeatas pela redução das tarifas de transporte público coletivo no País afora. Para ele, não é legítimo os métodos empregados para "combater ou para enfrentar as manifestações".

RICARDO BRITO, Agência Estado

17 de junho de 2013 | 18h04

"O uso de balas de borracha - o nome já diz: é bala. E aí dizer que não é letal. Ela é letal sim! Ela é menos letal do que a outra bala convencional, mas ela mata. Dependendo de onde for atingida, a pessoa morre. E eu nunca vi tantos policiais neste País usando armas letais contra manifestantes. Não é aceitável", afirmou em discurso da tribuna do Senado.

O vice-líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), classificou como "atraso imperdoável" o uso desse tipo de projétil na dispersão de manifestantes nos atos País afora. "Eu considero o uso desta bala de borracha um atraso imperdoável. Não é possível que não encontremos mecanismos mais modernos, mais eficientes para administrar a revolta popular", afirmou, em discurso no Senado.

Nesta segunda-feira, o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella, anunciou uma mudança de estratégia para a dispersão dos manifestantes na capital paulista e decidiu que as balas de borracha não serão mais usadas pela Polícia Militar.

Força desnecessária

A Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) divulgou na tarde desta segunda-feira nota em que critica a violência policial empregada contra os movimentos sociais. A nota cita diretamente as manifestações ocorridas durante a semana passada na cidade de São Paulo. Para o presidente da Anamatra, Paulo Luiz Schmidt, sob o pretexto de garantir a ordem e a proteção ao patrimônio público e privado, a polícia empregou força desnecessária contra manifestantes e jornalistas. "A expressão pública da reivindicação popular não deve ser externada com violência ou violação aos direitos fundamentais de terceiros".

Insatisfação do trabalhador

As principais centrais sindicais do País também divulgaram nota conjunta nesta segunda-feira para se posicionar em relação a onda de protestos. Segundo as centrais, "a luta contra o aumento das passagens em curso em todo o País expressa a insatisfação dos trabalhadores e do povo submetidos, diariamente, a condições desumanas no transporte (ônibus, trens, metrô etc.), em especial nas grandes cidades", diz o texto. "O preço das tarifas é absurdamente elevado frente às condições de prestação deste fundamental serviço público", completa.

A nota, - assinada em conjunto pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST) -, diz ainda que os protestos mostram que a sociedade não admite "mais o descaso com questões como a falta de políticas de mobilidade urbana e melhoria urgente da qualidade do transporte coletivo".

As centrais também criticaram a repressão policial contra manifestantes. "É inadmissível (a repressão), avilta o direito constitucional à livre manifestação e resgata o velho bordão de que os poderes constituídos tratam assuntos de interesse social como assunto de polícia", diz a nota. (Colaboraram Carla Araujo e Rene Moreira)

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.