Senador defende que Enade seja ampliado

Para o ex-ministro da Educação Cristovam Buarque, a prova deveria abranger todas as áreas e ocorrer anualmente - e não apenas a cada três anos

CEDÊ SILVA , ESTADÃO.EDU, O Estado de S.Paulo

06 Março 2012 | 03h04

Em meio ao debate sobre como evitar distorções nos resultados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), o senador e ex-ministro da Educação Cristovam Buarque (PDT-DF) defendeu ontem que todos os universitários façam a prova e a nota do aluno conste no diploma.

"Da forma como é hoje, o Enade é como Enem (Exame Nacional do Ensino Médio): os dados falsificam a realidade, porque só os melhores fazem a prova", afirma o ex-ministro, que foi candidato a presidente da República em 2006.

Para que isso não ocorra, opina Buarque, o exame deveria ser realizado todos os anos, abrangendo todas as áreas - atualmente os cursos são avaliados a cada três anos. "Seria caro, mas o resultado vale a pena. Caro mesmo é Copa do Mundo, Olimpíada."

Para Maria Helena Guimarães de Castro, ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (1995- 2002), a proposta de Buarque é inviável.

"O Enade é uma prova difícil de elaborar, feita por uma comissão de especialistas. As especificações vão mudando ao longo da tempo, à medida que os currículos de graduação acompanham o mercado", diz a ex-presidente do Inep. Por isso, opina Maria Helena, aplicar a prova todos os anos seria não apenas muito caro, mas desnecessário.

Burla. Com base numa denúncia formal de que a Universidade Paulista (Unip) seleciona apenas os melhores alunos para prestar o Enade, o Ministério da Educação (MEC) deu dez dias para a instituição se explicar.

Em 2010, por exemplo, só 353 (41,2%) dos 855 formandos de Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Nutrição e Odontologia de unidades da Unip no Estado de São Paulo passaram pela avaliação, termômetro da qualidade dos cursos superiores.

Em 2009, a universidade teve 1.307 formandos em Direito no Estado de São Paulo. Mas somente 350 fizeram o Enade. Em Campinas, por exemplo, apenas 15 dos 71 veteranos desse curso estavam aptos a fazer o Enade. Ambos os grupos tiraram a nota máxima, 5.

A universidade atribui a diferença entre concluintes e inscritos no Enade ao fato de que um contingente expressivo de estudantes termina o curso no meio do ano.

Porcentual mínimo. Conforme o Estadão.edu mostrou ontem, uma proposta será levada neste mês ao Inep, visando a criar um porcentual mínimo de participação no exame.

Nesse caso, as universidades seriam obrigadas a inscrever no Enade o equivalente a 70% ou 80% do número de alunos formados no ano anterior.

A medida pretende evitar que ocorram variações bruscas no volume de inscritos causadas, por exemplo, por uma política de aumentar a reprovação de alunos na véspera do exame - como faz a Unip.

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