Senadores repudiam prisão de jovem com homens no PA

A prisão de uma jovem por 15 dias em uma cela com 20 homens no Pará provocou uma série de manifestações de repúdio hoje no Senado. O senador Paulo Paim (PT-RS), da Comissão de Direitos Humanos, defendeu para amanhã, na sessão da comissão, a apresentação de um requerimento de audiência pública para que o caso seja denunciado e os criminosos, punidos "com o maior rigor da lei". Presa por furto em Abaetetuba, a 89 quilômetros de Belém, a mulher fugiu no sábado da delegacia e foi recolhida pelo Conselho Tutelar. Ela denunciou ter sido humilhada e estuprada pelos presos.A primeira reação à violência no Pará partiu do senador paraense Flexa Ribeiro (PSDB). Da tribuna, ele classificou de "inadmissível" o caso e criticou a polícia da governadora Ana Júlia Carepa (PT). "O que foi cometido pela polícia da governadora Ana Júlia é inadmissível. Se a jovem era menor ou não, em hipótese nenhuma uma mulher pode ser colocada em uma cela com 20 presos", afirmou. "A polícia se justifica dizendo que a jovem acusada de furto se prostitui e é maior de idade, como se isso tivesse alguma coisa que ver com o que foi imposto a ela."Flexa Ribeiro solicitou à Mesa do Senado o envio de seu pronunciamento para o ministro da Justiça, Tarso Genro, e para o Secretario Especial de Direitos Humanos, Paulo Vanuchi, para que sejam tomadas providências. O tucano também cobrou explicações públicas sobre o crime por parte da governadora Ana Júlia.BandidosOutro senador pelo Pará, Mário Couto (PSDB), disse que a situação em seu Estado chegou ao limite. "O Pará hoje está entregue na mão de bandidos. Os bandidos tomaram conta do nosso Estado", afirmou. "Como um delegado pode exercer essa profissão e cometer um crime? Isso é um crime. Nós vamos ter de tomar medidas mais drásticas em relação a este caso", discursou, avisando que oficiaria o Ministério Público.Tasso Jereissati (PSDB-CE) também engrossou o número de senadores que protestaram e classificou o crime no Pará como um "dos acontecimentos mais bárbaros e cruéis". "São requintes de um sadismo primitivo", lamentou. O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) classificou de "absurdo extraordinário" o que aconteceu. "Não é só uma ofensa à dignidade humana. É uma ofensa a todo ordenamento jurídico", afirmou. "É uma monstruosidade, uma anomalia que não podemos tolerar."

ANA PAULA SCINOCCA, Agencia Estado

21 de novembro de 2007 | 19h02

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