Sendero Luminoso quer concorrer às eleições

O Sendero Luminoso, grupo que espalhou o terror pelo Peru nos anos 80 e 90, agora quer entrar para a política. A revelação foi feita pela número dois do Sendero, Elena Iparraguirre, que está cumprindo pena de prisão perpétua numa cadeia em Lima e, na terça-feira, pediu permissão para casar-se com o líder histórico do grupo, Abimael Guzmán.

EFE, LIMA, O Estadao de S.Paulo

29 de outubro de 2009 | 00h00

Segundo Iparraguirre, a organização quer apresentar candidatos para as eleições municipais e regionais de 2010 e as gerais de 2011. O ministro peruano da Justiça, Aurelio Pastor, confirmou ontem que a lei de seu país permite que o Sendero participe de eleições, embora isso não lhe agrade.

"Pessoalmente, acho que eles não deveriam participar, mas legalmente eles podem fazer isso", disse Pastor. "Não entendo como um grupo que não respeita a democracia e não tolera divergências, mas a transforma em violência e mortes, hoje quer usar os instrumentos e espaços democráticos."

De inspiração maoista, o Sendero foi fundado por Guzmán nos anos 60 e na década de 80 declarou guerra ao Estado peruano. Ele chegou a ter 10 mil integrantes e foi responsável por 35 mil mortes entre 1980 e 1999 - uma média de 5 assassinatos por dia.

Recentemente, parte do grupo ressurgiu com novos líderes no Vale dos Rios Apurimac e Ene e se fortaleceu com o tráfico de drogas. Seu objetivo não é mais instalar no Peru um regime comunista. Mas nos últimos meses, eles estão tentando revalorizar o componente ideológico do grupo para dar ares de "guerra popular" à sua uma luta pelas rotas da droga.

Os antigos líderes, que estão pesos, também passaram a procurar um maior protagonismo. Em setembro, a Editora Manoalzada lançou um livro escrito por Guzmán, que hoje está a venda em livrarias e até semáforos em Lima. Os advogados que o ajudaram a tirar a obra da prisão foram acusados de "apologia ao terrorismo".

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