Serasa se diz pronta para cadastro positivo, mas critica projeto

A empresa de informações de crédito Serasa Experian afirmou nesta quinta-feira que está pronta para o cadastro positivo, mas criticou o projeto sobre o tema aprovado nesta semana pela Câmara dos Deputados.

ALUÍSIO ALVES, REUTERS

21 de maio de 2009 | 17h00

O presidente da companhia, Francisco Valim, disse esperar que, quando entrar em vigor, o sistema traga ao Brasil os mesmos benefícios dos mercados onde ele já existe, na forma de expansão e barateamento do crédito, redução da inadimplência e maior crescimento econômico.

"Em Hong Kong, o estoque de crédito multiplicou por quatro em cinco anos, enquanto a inadimplência caiu pela metade na Coreia do Sul, depois da implementação do cadastro positivo", disse Valim à Reuters.

Pelos cálculos da companhia, um acréscimo de 10 por cento no estoque de crédito de um país tem como desdobramento um crescimento adicional de 1 ponto percentual do PIB.

"E hoje a relação do total de crédito e o PIB no Brasil, de cerca de 40 por cento do PIB, equivale à metade da média internacional", disse a jornalistas.

No mercado doméstico, que tem um dos níveis mais altos do mundo de taxas de juros, esse efeito poderia ser intensificado, segundo ele, já que cerca de 40 por cento do spread bancário --diferença entre o preço pago pelos bancos para captar recursos e o cobrado dos clientes nos financiamentos-- tem como justificativa a alta inadimplência.

Segundo o executivo, a Serasa, comprada em 2007 pela britânica Experian, pode introduzir no Brasil um produto similar ao utilizado pela companhia em outros 14 países onde o bureau de crédito já existe. "Estamos prontos, só aguardando a aprovação", disse Valim.

RECLAMAÇÃO

Em tramitação no Congresso há pelo menos seis anos, o Cadastro Positivo é apontado pelo governo e por bancos como um fator para reduzir os custos. Para entrar em vigor, o sistema ainda depende de aprovação pelo Senado. Se sofrer modificações, voltará à Câmara antes de seguir para sanção presidencial.

E para as entidades de crédito, do jeito que está o projeto aprovado precisa de pelo menos um reparo. Trata-se do artigo que obriga os credores que quiserem consultar o histórico de crédito a avisar o cliente por meio de carta registrada, que custa mais de cinco reais cada.

A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) se mostrou contra a exigência, reação similar à da Serasa.

"É uma exigência que não agrega nenhum benefício para o consumidor e onera o sistema", disse Valim, argumentando que as despesas com correspondências são a principal fonte de custos para o bureau de crédito.

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