Serra abre mão de discurso conciliatório, ataca governo

No dia em que oficializou sua candidatura à Presidência da República, José Serra (PSDB), fez o discurso mais duro contra o governo desde que se colocou na disputa deste ano. O tucano apontou corrupção no Executivo federal, atacou o loteamento político de cargos e se utilizou do escândalo do mensalão do PT.

* CANDIDATO COM, REUTERS

12 de junho de 2010 | 15h41

José Serra, de 68 anos, abriu mão neste sábado do discurso conciliatório que vinha empreendendo ao longo da pré-campanha.

O anúncio de sua candidatura marca a largada de uma difícil corrida eleitoral, na qual ele aparece empatado com a candidata do PT, Dilma Rousseff depois de cair nas pesquisas.

"Não tenho esquemas, não tenho máquinas oficiais, não tenho patotas corporativas, não tenho padrinhos, não tenho esquadrões de militantes pagos com dinheiro público. Tenho apenas a minha história de vida, minha biografia e minhas idéias", disse no discurso para 5 mil pessoas, segundo a organização

Foram críticas reiteradas, mas sem citar uma só vez o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, muito popular na Bahia, local do evento. A única ocasião em que chegou perto disso foi quando se referiu aos "luíses" que acreditam personificar o Estado.

"O tempo dos chefes de governo que acreditavam personificar o Estado ficou pra trás há mais de 300 anos. Luís 14 achava que o Estado era ele. Nas democracias e no Brasil, não há lugar para luíses assim," acusou.

Também houve referências à sua experiência eleitoral em que disse ser conhecido pela população brasileira. Serra foi eleito em cinco das oito eleições que disputou, enquanto Dilma nunca disputou uma eleição. Ele perdeu para Lula em 2002.

"Não comecei ontem e não caí de paraquedas. Apresentei-me ao povo brasileiro, fui votado, exerci cargos, me submeti ao julgamento da população, fui aprovado e votado de novo. Assim foi em cada degrau, em cada etapa da minha vida", alfinetou.

"Isso demonstra meu respeito pela vontade popular. 80 milhões de votos ao longo da vida pública, 80 milhões de vezes brasileiros me disseram sim, siga em frente que nós te apoiamos."

Essa foi uma das raras vezes nesta campanha em que o candidato usa o escândalo do mensalão para atingir o PT. Ao seu lado, no palanque, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, aplaudia Serra. Ele foi o autor da denúncia do suposto esquema de compra de apoio parlamentar pelo PT no primeiro mandato de Lula.

"Acredito no Congresso Nacional como a principal arena do debate e do entendimento político, da negociação responsável sobre as novas leis, e não como arena de mensalões, compra de votos e de silêncios."

Da tribuna, Serra também fez críticas à atuação internacional de Lula, num momento em que o Brasil aumenta sua relação com o Irã, país alvo de sanções econômicas da ONU por seu programa nuclear, e segue apoiando o governo cubano.

"Eu acredito nos direitos humanos, dentro do Brasil e no mundo. Não fica bem elogiar continuamente ditadores de todos os cantos do planeta."

SEM VICE

José Serra deu a largada oficial de sua campanha sem ter a seu lado um companheiro de chapa.

O ex-governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), era o nome mais desejado no partido, mas recusou o convite.

A campanha enfrenta dificuldades para encontrar um nome enquanto o Democratas reivindica o direito à indicação, após o mensalão do partido em Brasília. O nome deve ser anunciado por volta do dia 20, desde que costuras locais no Paraná e em outros Estados se resolvam.

Aécio fez um discurso inflamado, tentado espantar as avaliações de que não se engajaria na campanha do correligionário, após ter sido derrotado na disputa interna pela indicação do PSDB para disputar a presidência.

"O Brasil não foi uma construção solitária, de um messias ou de um grupo partidário. Cada um colocou seu tijolo nessa construção...queremos um líder e não apenas o reflexo de um líder", disse.

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