Serra sobe tom e líder do PSDB diz que campanha tucana evoluiu

A campanha do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, evoluiu, na avaliação do presidente da legenda, senador Sergio Guerra (PE), após o candidato tucano elevar o tom contra sua principal adversária, Dilma Rousseff (PT), durante debate entre os presidenciáveis realizado na noite de domingo.

EDUARDO SIMÕES, REUTERS

13 de setembro de 2010 | 07h44

No acalorado debate promovido pela Rede TV! e pelo jornal Folha de S.Paulo, Serra foi para o ataque contra a ex-ministra e, sempre que pôde, direcionou suas perguntas à petista, que por sua vez não perguntou nenhuma vez ao tucano. Dilma chegou a pedir dois direitos de resposta contra Serra e foi atendida em um deles.

"Tem que ser incisivo, objetivo e direto na crítica ao governo tantas vezes quantas forem necessárias, e especialmente ao papel da ministra", elogiou Guerra, após o término do debate. O presidente do PSDB, no entanto, negou que o candidato de seu partido tenha sido agressivo.

"Que nós temos de ter cuidado com as pessoas, é fato, de não sermos ofensivos. Mas temos que ser ao máximo incisivos com relação aos fatos", disse. "A campanha evoluiu", acrescentou, no que pode ser visto como uma sinalização de que o candidato tucano deve passar a bater mais duro em Dilma e no PT.

Durante a cerca de uma hora e meia de programa, Serra voltou a vincular à campanha de Dilma à violação do sigilo fiscal de pessoas ligadas a ele e, por conta disso, a direção do programa deu à petista um direito de resposta, o que gerou o momento mais acalorado do debate.

A petista acusou o tucano de tentar "virar a mesa da democracia" e afirmou que não passaria para a história como caluniadora, ao contrário de seu rival.

Essa afirmação rendeu a Serra um direito de resposta, no qual o tucano disse que a Casa Civil se transformou em um "foco de corrupção" no atual governo, e lembrou as relações de Dilma com o ex-ministro da pasta José Dirceu, que o tucano classificou de "homem de confiança de Dilma". "Ou vai pedir direito de resposta por isso também?," perguntou.

Nesta semana a revista "Veja" publicou reportagem sobre um suposto esquema de lobby comandando por filho da atual ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, para beneficiar empresas interessadas em contratos com o governo federal.

Assim como Serra fez durante o debate, no entanto, Guerra evitou colocar o foco da artilharia tucana diretamente sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal cabo eleitoral de Dilma.

Após avaliar que a candidata petista é "principal ponto fraco da campanha", Guerra foi indagado se o presidente seria, então, o principal ponto forte e respondeu: "O Lula sem dúvida é sempre forte, mas essa não é a questão, ele não é candidato".

O presidente do PSDB foi questionado também por que não criticar Lula, já que ele é o principal cabo eleitoral de Dilma.

"Primeiro porque o adversário não é ele. É uma fraude, um estelionato eleitoral. Nós não podemos fazer a política do estelionato eleitoral. A candidata é a Dilma, é ela que nós estamos enfrentando", disse o tucano. Para ele, a petista, "do ponto de vista político, é uma fraude".

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