Serra volta a afirmar que Dilma faz ataques a quem denuncia

O candidato à Presidência pelo PSDB, José Serra, criticou nesta segunda-feira o argumento da rival Dilma Rousseff (PT) no caso das denúncias de tráfico de influência contra a atual chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, alegando que mais uma vez a petista atacou "os que denunciaram".

REUTERS

13 de setembro de 2010 | 16h22

"(Dilma) Não botou a mão no fogo por um lado e disse que era uma jogada eleitoral. Ou seja, atacou aqueles que denunciaram. Quem denunciou passa a ser culpado", disse Serra a jornalistas. "A culpa é de quem foi atropelado", acrescentou o presidenciável, que participou de sessão plenária na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Brasília.

Sobre um possível afastamento da ministra, Serra afirmou que não comentaria o que deveria ser feito. "O que eles têm que fazer é abrir, é dar transparência. Abrir uma investigação séria, não de fachada", disse.

A Comissão de Ética Pública da Presidência da República decidiu abrir nesta segunda-feira um procedimento preliminar para investigar a conduta de Erenice, após reportagem da revista Veja no fim de semana afirmar que um filho da ministra recebeu dinheiro para intermediar um contrato com os Correios.

A decisão foi tomada após pedido da própria ministra para ser investigada pela comissão.

Dilma afirmou na noite de domingo, em debate promovido pela RedeTV! e pelo jornal Folha de S.Paulo, que não poderia ser julgada pelo que o filho de sua antiga assessora poderia ter feito. Ela também cobrou apuração das denúncias.

Serra aproveitou para retornar ao tema da violação de sigilos fiscais de pessoas ligadas a ele, e rebateu as afirmações de Dilma de que, em 2009, quando os sigilos foram violados, não havia ainda campanha nem pré-campanha à Presidência.

Para Dilma, o fato de não haver pré-candidatura eliminaria o propósito eleitoral da violação dos sigilos.

"A ideia de que ela não era candidata é hilariante. A Dilma, já desde meados de 2008, começou a campanha ao lado do presidente da República. Inclusive, quem tocava a Casa Civil na prática era precisamente a atual ministra da Casa Civil. Isso até as paredes, os gramados da Esplanada, as lâmpadas aqui da OAB, todo mundo sabe disso", afirmou.

Ao reiterar que as violações tinham motivação eleitoral, Serra afirmou que o jornalista que revelou ao vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, que dados de seu imposto de renda haviam vazado, disse ao dirigente tucano que as informações vieram do comitê eleitoral de Dilma.

USO DA MÁQUINA PÚBLICA

O candidato voltou a alfinetar o PT, ao dizer que seu propósito é o de reestatizar o Estado. Além de acusar o governo petista de fazer nomeações políticas, principalmente nas agências reguladoras.

"Aqueles que se dizem de esquerda hoje, que não são, eles menosprezam o Estado de Direito. Passam por cima dele não para fazer transformação ou revolução, mas para defender a impunidade, acobertar os seus crimes. Essa é que é a situação", disse.

Ao defender mudanças no sistema político nacional, Serra criticou o que chamou de proliferação de partidos nanicos. O candidato se comprometeu, já no primeiro mês de governo, caso seja eleito, a tomar medidas para iniciar uma Reforma Política gradual. Entre os pontos defendidos por Serra, estão o voto distrital e a diminuição dos custos de campanhas.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

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