Serra volta a criticar BC e quer corte de até 1,5 ponto no juro

Os recentes cortes da taxa básica de juro na economia não satisfizeram o governador José Serra (PSDB), que vê espaço para uma nova redução, de até 1,5 ponto percentual no mês de junho.

REUTERS

11 de maio de 2009 | 17h27

"Não perdemos a liderança em matéria de juros", disse Serra, potencial candidato à sucessão presidencial, dirigindo-se uma plateia de empresários e de economistas premiados com o Nobel reunidos para discutir os rumos da crise financeira mundial.

Serra, que insistiu que falava como governador e não como candidato, vem criticando o nível da taxa de juros, mas esta foi a primeira vez nos últimos meses que arriscou um palpite. Ele vê, no entanto, uma oportunidade perdida para um choque na taxa.

"O Banco Central deveria ter reduzido de uma vez só (os juros) em 300 ou 400 basis points (3 a 4 pontos percentuais). Ninguém teria ficado pensando em inflação. Agora é um momento mais delicado... o mais prudente é reduzir em junho 100 a 150 basis points", afirmou, utilizando-se da terminologia em inglês.

O BC promoveu três reduções sucessivas de 1 a 1,5 ponto, levando a taxa aos atuais 10,25 por cento ao ano.

Para Serra, o Banco Central não pode estar preocupado com os índices de inflação porque "não tem ninguém que acha hoje no Brasil que existe ameaça de inflação".

A lentidão do BC em reduzir o juro deveu-se, segundo o governador, a "insuficiente conhecimento das variáveis econômicas e por modelos inadequados. Não é má-fé nem é problema com as metas de inflação. Ninguém quer errar e sem querer errar acaba errando", frisou, ao afirmar que não tem uma interpretação "maligna" do comportamento do BC.

Serra manifestou também sua preocupação com a volta da política cambial pré-crise em que, segundo ele, a valorização do real frente ao dólar acabou incentivando grandes empresas brasileiras a especular no mercado de câmbio. Com a eclosão da crise e a desvalorização do real, elas tiveram fortes prejuízos.

O mecanismo é chamado pelo governador de "cadeia da felicidade" ou "ciranda cambial".

"Existe a preocupação de volta ao ciclo anterior, de valorização crescente da moeda porque a diferença da remuneração no Brasil com relação ao resto do mundo é abismal".

(Reportagem de Carmen Munari)

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