Serviços de inteligência vêem aumento de ameaças a Israel

Relatório afirma que país poderia ser atacado do Líbano, da Síria e de Gaza.

Guila Flint, BBC

10 de março de 2008 | 16h55

Os serviços de inteligência de Israel apresentaram um relatório ao governo do país em que alertam para uma série de ameaças que poderiam colocar em risco a segurança dos israelenses em médio prazo.De acordo com o Mossad (Serviço de Inteligência Internacional) e o Aman (Inteligência do Exército), Israel poderá se confrontar em um ano com ataques a mísseis da Síria, foguetes do Hezbollah, do Líbano, e ataques mais freqüentes com foguetes do Hamas, da Faixa de Gaza.O conteúdo do relatório, publicado nesta segunda-feira na imprensa israelense, traça um cenário sombrio, agravado pela avaliação dos serviços de inteligência de que o "projeto do Irã de construir uma bomba atômica pode amadurecer até o fim de 2009".O documento também menciona que as ameaças poderiam ocorrer simultaneamente e, nesse caso, todo o território israelense estaria exposto aos bombardeios.Segundo o jornal israelense Maariv, um dos ministros, que não quis se identificar, disse que, depois de ouvir o relatório, vai "ter dificuldade para dormir" e que "não se lembra de uma previsão tão sombria em anos".HamasO serviço de inteligência do Exército alertou para o fortalecimento militar do Hamas na Faixa de Gaza. Segundo o relatório, o grupo continua se armando e aperfeiçoando o poder de destruição e de alcance dos foguetes que usa para atacar o sul de Israel.Nas últimas semanas, a cidade de Ashkelon, no sul do país, foi atingida por foguetes do tipo Grad, com um alcance de 25 quilômetros e um maior poder de destruição do que os foguetes do tipo Kassam, geralmente utilizados por militantes palestinos.Segundo a avaliação do Mossad, a crise política no Líbano deverá se agravar e o Hezbollah poderá vir a tomar o poder no país. Nesse caso, o Líbano poderia se transformar em uma "base xiita com apoio direto do Irã".O relatório também afirma que o Hezbollah deverá vingar a morte de Imad Mughnieh, líder do grupo assassinado no dia 12 de fevereiro em Damasco, "e a Síria tambem deverá reagir, pois o incidente ocorreu em seu território".Israel nega qualquer envolvimento na morte de Mughnieh, mas tanto o Hezbollah como a Síria atribuem a responsabilidade pelo assassinato ao governo israelense.De acordo com a previsão do Mossad, é improvável que os Estados Unidos ataquem o Irã para impedir a produção de armas nucleares, e "Israel estaria sozinho diante da ameaça iraniana".BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.