Serviços online dão mais controle para espectador escolher sua programação na TV

A convergência entre televisão e internet é inescapável. A ponto de já ser difícil definir onde começa um e termina o outro.

Camilo Rocha, O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2012 | 03h09

Já existem várias opções no mercado brasileiro para o consumidor assistir, pela internet, a séries e programas de TV, longas-metragens, documentários, atrações esportivas e musicais com apenas alguns cliques na tela.

A tela, no caso, também já deixou de ser exclusivamente a do computador ou a da televisão tradicional. Pode ser a do tablet, do smartphone, da TV conectada, ou mesmo da TV normal, ligada a algum desses aparelhos ou videogames. As possibilidades do que fabricantes e serviços chamam de "TV everywhere" (TV por toda parte) não param aí.

A Netflix é uma das pioneiras nesse tipo de serviço, que estreou nos EUA em 2007. Em 2011, veio para o Brasil onde, depois de alguns tropeços iniciais, se diz "muito satisfeita" com seu avanço no mercado local.

O norte-americano Joris Evers, diretor de comunicação corporativa da empresa, disse por telefone ao Link que a marca de um milhão de usuários foi ultrapassada na América Latina. Ele se nega a divulgar números por país, mas garante que México e Brasil são líderes regionais.

A Netflix, assim como a NetMovies, Sunday TV (do Terra) e Saraiva Digital, funciona como locadora virtual.

Uma das principais reclamações sobre o serviço é o conteúdo desatualizado. "Nos EUA é a mesma coisa. Mas as pessoas precisam lembrar que temos de obedecer os prazos de licenciamento". Uma vez que um filme sai do cinema, ele geralmente chega primeiro ao DVD, depois à locadora física e ao iTunes para depois entrar no catálogo da Netflix. "No iTunes, pela compra de um filme apenas, você paga mais que a nossa mensalidade", disse (ver preços dos serviços na pág. 2).

Outros serviços disponíveis são sites criados por nomes conhecidos da TV paga e que funcionam mais como braços de vídeo sob demanda das empresas.

A Globosat é um desses nomes. Seus serviços online incluem sites como o Muu, que agrega conteúdo de canais como GNT e Canal Brasil, e o Premiere FC, esportivo, e plataformas novas, como o Philos, focado em documentários, e o Telecine Play, que reúne o acervo dos canais de filmes.

"Estamos em fase experimental", diz Gustavo Ramos, diretor de novas mídias da Globosat. "A TV vai mudar muito em cinco anos e a gente não sabe o que vai ser. Quem faz previsão, chuta. Dos oito canais que estamos lançando, não acredito que todos estarão no ar em cinco anos."

O jornalista e produtor Nelson Hoineff, que escreve sobre convergência das mídias desde os anos 80, acha que o mercado está tateando. "Na última ABTA (feira da Associação Brasileira de TV por Assinatura), a frase mais ouvida, mesmo entre pessoas fortes do meio, era 'eu acho...'. É tudo muito novo."

O que é certo é que a vontade do espectador de ter controle sobre o conteúdo só aumenta. "Na maior parte do tempo ainda se prefere a TV linear - se jogar no sofá e ver o que está passando", diz Flavia Hecksher, diretora de marketing do Telecine. "Mas cada vez mais as pessoas querem escolher o que ver, na hora que quiserem."

Segundo pesquisa encomendada pelo Telecine, que entrevistou 2.120 pessoas de 18 a 60 anos, das classes A, B e C, 81% aprovam o controle sobre a programação. O dado mais significativo: 92% deles declararam ter aparelhos móveis (tablet, smartphone ou notebook).

Só nas duas últimas semanas, mais dois competidores anunciaram sua chegada: o Yahoo! Connnected TV e a HBO GO. Ambos começam a operar neste mês.

"É um lugar muito estimulante para estar", diz Evers sobre o aumento da concorrência da Netflix. Ele afirma que os consumidores tendem a usar vários serviços ao mesmo tempo.

Dois gargalos, porém, ainda limitam a popularização do modelos no Brasil: a banda larga restrita e as barreiras dos direitos autorais que atrasam lançamentos. "O mundo regulatório ainda tenta entender essa diluição do que é uma tela, onde é televisão, onde é internet", diz Ramos.

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