Servidores da CNEM retornam ao trabalho na 5ª-feira

O fornecimento de remédios radioativos deve ser normalizado na quinta-feira, com a volta ao trabalho dos funcionários da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEM), que detém o monopólio da produção nuclear no País. O material em falta é usado no diagnóstico e tratamento de câncer em todo o Brasil. O fim da greve, que começou em outubro, foi determinado por uma liminar concedida pela Procuradoria Regional da República da 3ª Região, em São Paulo, sob pena de terem o ponto cortado. O diretor das Associação dos Empregados do CNEM Carlos Eduardo de Farias, no entanto, disse que o retorno ao trabalho estava previsto: "Essa liminar é inócua porque nossa greve já tinha data para terminar. O último dia é na quarta-feira (hoje). Na quinta, todos voltam normalmente ao trabalho", disse. A comissão, por meio de assessoria, assegurou hoje que está com um número suficiente de funcionários nos laboratórios na capital paulista (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares) e no Rio (Instituto de Engenharia Nuclear) para fornecer os produtos radioativos. No entanto, não houve demanda. O material radioativo precisa ser consumido no mesmo dia e, com a divulgação da paralisação, os médicos adiaram os exames, informou a assessoria do CNEM. A greve dos servidores, que reivindicam reajustes entre 80% e 90%, prejudicou a produção de medicamentos nucleares, principalmente em São Paulo. Os produtos radioativos são usados em todos os hospitais, públicos ou privados, e não podem ser importados. São empregados para descobrir e tratar certos tipos de câncer de difícil diagnóstico, muitas vezes, detectados quando se encontram em metástase (aparecimento de um foco secundário). O tipo mais comum do tumor (carcinóide) pode afetar intestino, pâncreas e pulmão. O Brasil é um dos primeiros países que dispõem do tratamento e recebe até mesmo pacientes de outras nações da América Latina. Outro fármaco é aplicado para tratar tumores primários e secundários do fígado.

FABIANA CIMIERI, Agencia Estado

04 de dezembro de 2007 | 19h54

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