Servidores em greve invadem Ponto-Socorro de Maceió

Para coordenador do movimento, ocupação pacífica mostra as péssimas condições de trabalho na cidade

Ricardo Rodrigues,

24 de setembro de 2007 | 13h47

Servidores de nível médio e de algumas categorias de nível superior da rede de saúde pública estadual, em greve há mais de um mês, invadiram na manhã desta segunda-feira, 24, a Unidade de Emergência Armando Lages, principal pronto-socorro do Estado, no bairro do Trapiche da Barra, em Maceió. Eles chegaram em passeata, subiram a rampa e invadiram as dependência do hospital, sem encontrar resistência da segurança, que não tinham como conter os manifestantes. "Foi uma ocupação pacífica, com o objetivo de abrir as portas da Unidade de Emergência (UE) para mostrar à sociedade alagoana as péssimas condições de trabalho a que estamos submetidos no dia-a-dia e a situação de abandono de dezenas de pacientes à espera de atendimento", afirmou Benedito Alexandre, um dos coordenadores do Movimento Unificado da Saúde. "Queremos apenas que a imprensa registre o que o governo esconde", acrescentou. Dentro do hospital, pacientes pelo chão, deitados em colchonetes, sentados em cadeiras de rodas, aguardando atendimento em macas pelos corredores; além de equipamentos quebrados, lençóis sujos amontoados pelos cantos das enfermarias e falta de médicos. Um paciente idoso vítima de AVC aguarda há uma semana ser atendido por um neuro-cirurgião, alimentando-se apenas de soro. Durante a greve dos médicos, vários neuro-cirurgiões pediram demissão da UE.  No final da manhã, os servidores desocuparam a Unidade de Emergência, mas ficaram de voltar para novas manifestações. Eles disseram que a intenção não era prejudicar o já precário funcionamento do pronto-socorro, mas afirmaram que postos de saúde e ambulatórios continuarão fechados, durante a greve. Os servidores reivindicam o mesmo percentual de reajuste concedido pelo governo para os médicos, que receberam 39% de aumento.  No entanto, as negociações com o governo estão suspensas. Por isso, os servidores em greve decidiram radicalizar o movimento. "Nós só não fechamos a Unidade de Emergência para não prejudicar ainda mais os pacientes e a população, mas se for preciso iremos radicalizar ainda mais o nosso movimento", afirmou Benedito Alexandre, assim que soldados do Batalhão de Operações Especiais da PM (Bope), chegaram reforçar a segurança da Unidade de Emergência.  Governador diz que "greve não tem sentido" No final da manhã, o governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB), falou à imprensa sobre a paralisação dos servidores da saúde, que fechou os postos de saúde da Capital. "Esta greve não tem mais sentido", destacou o governador, durante evento da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), ao se referir às ações do Movimento Unificado da Saúde e às ameaças de radicalização dos grevistas.  "Eu lamento profundamente essa greve. As negociações nunca foram interrompidas, estão acontecendo de forma permanente. Então, a radicalização não tem sentido", acrescentou o governador, anunciando para esta semana a vinda do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, a Alagoas. "O ministro vem aqui para que possamos resolver a situação. Afinal, o governo de Alagoas não tem como atender sozinho todas as reivindicações dos servidores da saúde", salientou.  Vilela disse ainda que as reivindicações dos servidores são justas e legítimas, mas precisam ser negociadas levando em consideração a realidade financeira do Estado. "O máximo que puder ser pago, terá que ser pago e será. Mas não podemos ferir a lei e agir de qualquer forma, porque o Estado não tem condições", salientou o governador. Para ele, só com a ajuda do governo federal - que é um dos parceiros do Sistema Único de Saúde (SUS) - poderá resolver a questão.  Na última sexta-feira, a greve dos servidores da saúde foi decretada ilegal, por decisão da juíza Maria Esther Manso. Segundo o presidente do Sindicato dos Enfermeiros de Alagoas, Wellington Monteiro, a determinação da Justiça não altera a programação da categoria. "Os servidores realizarão uma assembléia geral na próxima quarta-feira, mas até lá continuarão em greve, até que o governo atenda as nossas reivindicações", afirmou o sindicalista.

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