Sessão com Gabrielli no Senado gera embate ideológico com PSDB

Parte da audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos no Senado agendada para debater o plano de investimentos da Petrobras foi transformada nesta terça-feira em arena para um debate ideológico entre o presidente da empresa, José Sergio Gabrielli, e senadores da oposição.

REUTERS

24 de março de 2009 | 16h08

A sessão tomou outro rumo depois que o líder do PSDB na Casa, Arthur Virgílio (AM), criticou a condução da política econômica do governo federal frente à crise financeira global.

"É um equívoco brutal desses que imaginam que houve um Estado mínimo no governo anterior e supostamente haveria um Estado ideal agora", disparou o tucano.

"O governo optou por inchar o custeio. O que segura esse país ainda são as reformas do governo passado e o Proer (programa de salvamento dos bancos realizado pelo governo Fernando Henrique Cardoso)", acrescentou.

Em resposta, Gabrielli afirmou que o crescimento dos países que seguiam a cartilha neoliberal se estagnou e a demanda mundial passou a ser garantida por países onde o Estado tem maior controle sobre a economia, como a China. O discurso defendido pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva é que as ações do Estado estão voltadas ao aquecimento da economia nacional.

"Aqueles países que não foram tão ávidos na política de Estado mínimo estão em condições melhores para enfrentar a crise atual do que as anteriores", argumentou o presidente da Petrobras, antes de rebater a declaração do parlamentar.

"Com todo o respeito, a fala do senador Arthur Virgílio é uma fala saudosista, porque ela tenta manter o discurso de que o problema fundamental de manter a estabilidade econômica são as reformas que reduzem o tamanho do Estado", disse o executivo.

Ao mesmo tempo, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) questionou a situação geral dos países apontados por Gabrielli como bem-sucedidos.

"A Índia e a China estão melhores do que a Alemanha, Estados Unidos e Japão em qualidade de vida e saúde?", perguntou em tom de provocação.

Após vários minutos de acalorada discussão, o presidente da comissão, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), interveio para que a pauta da sessão fosse retomada.

(Reportagem de Fernando Exman)

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