Setores têxtil e de móveis esperam desoneração até fim do mês

Os setores têxtil e de móveis, ambos intensivos de mão de obra, acreditam que até o fim de março o Ministério da Fazenda anunciará a redução da cobrança da contribuição previdenciária para empresas dessas indústrias.

REUTERS

15 Março 2012 | 14h11

Segundo representantes dos dois segmentos, que se reuniram com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta quinta-feira, a nova alíquota a ser cobrada deverá ficar entre 0,8 e 1 por cento incidente sobre a folha de pagamento das empresas, em substituição ao percentual de 1,5 por cento em vigor no plano Brasil Maior de desoneração.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimovel), José Diaz Fernandez, informou que a diminuição da alíquota para 1 por cento atenderia a reivindicações das empresas do setor.

"A alíquota atual é 1,5 por cento e o governo sinalizou algo como 1 por cento. Conversaremos novamente com o setor para flexibilizarmos nossa proposta de 0,8 para 1 por cento. Com isso, cada um cede um pouco. Isso é plausível", afirmou o dirigente.

Ele disse que a diminuição do tributo aumentará a competitividade das empresas tanto no mercado interno quanto externo.

Enquanto o setor de fabricação de móveis acena para uma cobrança previdenciária de 1 por cento sobre o faturamento das empresas, o setor têxtil vai insistir para que a Fazenda reduza o percentual para 0,8 por cento.

"Tenho certeza que haverá um ajuste para baixo no percentual de 1,5 por cento", afirmou o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Agnaldo Diniz Filho.

Segundo ele, Mantega ficou de avaliar se há condições de o governo aceitar a proposta feita pelo setor têxtil de redução do percentual para 0,8 por cento. "Saio bastante entusiasmado após essa conversa. Acredito que em duas semanas teremos uma decisão", comentou.

O presidente da Abit disse a mão de obra representa 50 por cento do custo da produção das fábricas de têxteis e que Mantega mostrou disposição em ajudar o setor industrial a enfrentar a acirrada concorrência com produtos importados.

Dados do governo mostram que nos 12 meses encerrados em janeiro, as importações de produtos manufaturados superaram as exportações de produtos industrializados em 94 bilhões de dólares.

O presidente da Abit informou ainda que Mantega não impôs contrapartidas às empresas durante a negociação para redução do encargo das empresas sobre a folha de pagamento dos empregados.

Também participaram da reunião o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, e o secretário de Política Econômica, Márcio Holland.

(Por Luciana Otoni)

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