Seu ente querido pode virar diamante

Entre novidades do setor estão crematórios para pets e técnica que transforma cinza em brilhante

Isabella Macedo, O Estado de S. Paulo

09 Novembro 2015 | 03h00

O mercado fúnebre, que movimenta mais de R$ 1 bilhão ao ano no País, não vive mais só de lápides e da organização de velórios. Este setor, como tantos outros, também tenta estender sua atuação e observa tendências para aumentar o faturamento. Entre os serviços que mais crescem atualmente estão o de crematórios, homenagens aos pets e também formas diferentes de “eternizar” o ente querido. Hoje, quem quiser, pode até transformar cinzas fúnebres em um diamante.

Profissionais do setor fúnebre de 19 países vão discutir, entre hoje e quarta-feira no Rio, as tendências durante o Encontro Nacional de Cemitérios e Crematórios, que realiza sua 16ª edição. Um dos desafios do setor é manter o ritmo de crescimento – cuja média anual ficou em 20% entre 2009 e 2013, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – mesmo com o início da crise econômica.

Segundo José Elias Flores Júnior, presidente do Sincep, sindicato que reúne os empresários da categoria, a resiliência do setor de serviços é maior em momentos de aperto econômico, como o atual. Hoje, o mercado fúnebre no Brasil reúne 425 empresas que geram 19 mil empregos e movimentaram R$ 1,2 bilhão apenas em 2013, de acordo com dados de do IBGE. 

O simpósio vai mostrar que, no exterior, as empresas do ramo já começaram a chegar à Bolsa. O empresário chinês Wang Jiseng, do grupo Fu Shou Yuan, será um dos destaques do evento. A empresa captou US$ 400 milhões ao fazer uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), uma das pioneiras do mercado fúnebre em empreender uma abertura de capital.

Já existem outros exemplos de empresas da Malásia (a Nirvana Asia) e dos Estados Unidos (Service Corporation International – SCI) que trilharam o mesmo caminho.

Tendências. Entre as principais tendências do setor está o aumento das cremações. Segundo Flores Júnior, o processo de incineração do cadáver não é apenas uma opção procurada para pessoas, mas também para animais de estimação. Hoje, o Brasil é vice-líder global do mercado pet (atrás apenas dos EUA). Segundo o IBGE, a população de cães e gatos no País é de cerca de 70 milhões. 

Os crematórios crescem, segundo o presidente do Sincep, por causa do aumento do preço dos terrenos em grandes cidades, mas também por questões ambientais. “Estamos considerando soluções que pensem no planeta”, diz Teresa Saavedra, presidente da Alpar, associação que reúne empresas do setor de toda a América Latina.

Entre as novidades que começam a chegar ao mercado nos próximos meses e que serão mostradas durante o encontro no Rio está a introdução de novas tecnologias nos serviços fúnebres. Apesar de ainda incipiente, uma das apostas das empresas para os próximos anos é o uso de códigos bidimensionais do tipo QR-Code para facilitar a identificação de túmulos e urnas funerárias.

Para Flores Júnior, do Sincep, outra tendência é tentar dar um “novo significado” para o período de luto. Já é possível transformar o ente querido em um diamante. “Se o diamante for feito com as cinzas de um familiar, por exemplo, ele vai ter outro significado. O valor atribuído é completamente diferente”, diz ele. “É muito mais precioso.”

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