Sim, nós temos iPhone. E agora?

A Claro e agora a Vivo vão trazer o telefone; para analistas ele poderá ser até quatro vezes mais caro do que nos Estados Unidos

FILIPE SERRANO,

16 Junho 2008 | 00h00

Agora que o iPhone vem para o Brasil, pela Claro e pela Vivo, fica a dúvida: quanto vai sair a brincadeira? Nos Estados Unidos e em países que receberão o iPhone 3G no dia 11, as operadoras subsidiaram tanto o preço final a ponto de o celular da Apple custar por volta de US$ 200 na versão de 8 gigabytes (GB) de memória e US$ 300, com 16 GB. São cerca de R$ 325 e R$ 490. É um valor extremamente baixo em reais para um celular do porte do iPhone. Quem compra o telefone em sites de leilão ou no mercado cinza, chega a pagar R$ 1,2 mil ou mais. Por esses e outros motivos, a maioria dos especialistas no mercado de celulares não acredita que pelas operadoras brasileiras o preço vai ser tão diferente de outros telefones topo de linha. Eles custam hoje entre R$ 600 e R$ 1 mil para quem assina os planos de ligações caros. Caso o preço do iPhone estiver dentro dessa faixa, na Claro e na Vivo você pagaria até quatro vezes mais do que um consumidor norte-americano. Nenhuma das operadoras quis comentar o lançamento do telefone. Dos cinco analistas procurador pelo Link, apenas um acredita que a Apple vai fazer o máximo para deixar o preço do iPhone – no Brasil e no mundo – igual ou pouco diferente ao do valor nos Estados Unidos. "Steve Jobs disse que o celular nunca custaria mais do que nos EUA. No Brasil, ele teria de negociar com as operadoras para subsidiar o aparelho. Imagino que seja com planos mais caros", diz Ken Dulaney, vice-presidente e analista emérito de comunicação da consultoria Gartner. Renato Trindade, da TNS Interscience, avalia que o iPhone poderá sair até de graça para planos empresariais. "Mas para o consumidor final, não acho que deva chegar às lojas por menos de R$ 1 mil. As operadoras vão se aproveitar da novidade para cobrar um preço alto. Além disso, o iPhone atrai muito as pessoas de alta renda e não vejo uma popularização logo no início", afirma. Mesmo com preços altos, outra possibilidade é de as operadoras brasileiras criarem planos só para o iPhone, como acontece nos Estados Unidos e em outros países onde é vendido. A AT&T, por exemplo, dá internet ilimitada no telefone por 30 dólares mensais. Aqui já ocorre algo parecido. Usuários de celulares BlackBerry têm serviços só para eles. "O iPhone aumenta o lucro das operadoras com cada cliente porque as pessoas acessam mais a internet. Já ouvi muita gente comentar que a ferramenta para ler e-mails é muito melhor do em outros celulares. Por isso imagino que a lógica seria ter planos específicos para o telefone", diz Álvaro Leal, analista do IT Data. VAI SER 3G Segundo a Apple, é o modelo novo de terceira geração (3G) que virá para o País. "No Brasil, só vai ter o iPhone 3G. Acredito que o modelo anterior não será mais vendido, como acontece quando um produto novo nosso é lançado", disse ao Link Fábio Ribeiro, engenheiro de sistemas da Apple no Brasil. Nem a Claro nem a Vivo, que anunciou na semana passada a venda do iPhone no Brasil, divulgaram as datas de lançamento. O anúncio da Vivo é visto como uma indicação de que a operadora inaugurará em breve sua rede 3G. A Claro e a Tim já oferecem sinal de terceira geração. "Não faz sentido a operadora lançar o iPhone sem uma rede 3G. Por enquanto, o 3G é associado à banda larga no computador, e o celular impulsionaria muito o crescimento da internet móvel", avalia Eduardo Tude, da Teleco. O novo modelo do celular foi apresentado há uma semana por Steve Jobs, o presidente da Apple. O iPhone agora conta com conexão 3G, para navegar na internet com velocidade pela rede da operadora, e GPS, que faz localização por satélite.

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