Sindicalista sugere a Lula criação de metas de produção e vendas

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, sugeriu na quarta-feira ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que governo, trabalhadores e empresários definam metas de produção e vendas para garantir a manutenção do nível de emprego. Segundo o sindicalista, a discussão de meios de reaquecimento da economia real deve substituir o debate sobre a flexibilização de direitos trabalhistas e a redução de salários. Assim, destacou, seria criada uma "agenda positiva". "Essa pauta (flexibilização de direitos e corte de salários), além de não ser eficaz, é recessiva", disse Nobre a jornalistas, depois de se reunir com o presidente. "O grande mal nesse debate de flexibilização e redução de salários é que desagrega os atores. O importante é criar um caminho comum." Nobre lembrou que iniciativa semelhante foi tomada na década de 1992, quando criou-se a "Câmara Setorial Automotiva", e revelou que o presidente demonstrou simpatia à tese. "O presidente entende que agora é a hora de fazer uma discussão positiva", afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Para viabilizar a ideia, Nobre organizará um seminário até o fim de fevereiro com representantes dos principais sindicatos, prefeitos e empresas da região para discutir o assunto. O sindicalista pediu a presença de integrantes do governo no evento. "O presidente disse que vai colocar peso nesse seminário", contou. De acordo com Nobre, as demissões de metalúrgicos no ABC ainda permanecem na média histórica, de 450 por mês. No entanto, disse o sindicalista, algumas empresas já deram sinais de que poderão dispensar trabalhadores em breve. "Até agora não mudou. A nossa preocupação é com os meses que vêm." Nobre criticou a legislação trabalhista. Para ele, a multa de 40 por cento sobre o saldo do FGTS cobrada quando um funcionário é demitido sem justa causa já foi incorporada no custo de produção. "Está muito barato demitir no Brasil. A empresa demite agora e daqui a três meses contrata mais barato", argumentou. Nobre também culpou os altos juros e spreads bancários pelo desaquecimento da economia. "O grande elemento da crise é o custo do crédito", disse. O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) define nesta quarta-feira se reduz a Selic, atualmente em 13,75 por cento ao ano. (Reportagem de Fernando Exman)

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