Sindicalistas pedem 'uma moedinha' para o salário mínimo

Na véspera da votação do projeto que eleva o salário mínimo, representantes de seis centrais sindicais defenderam nesta terça-feira no plenário da Câmara dos Deputados reajuste superior a 545 reais.

REUTERS

15 de fevereiro de 2011 | 18h02

Antes dos sindicalistas, coube ao ministro Guido Mantega (Fazenda) defender junto aos deputados a política do governo, reiterando que ela dá previsibilidade aos gastos públicos e garantias aos próprios trabalhadores.

Um dos principais argumentos dos sindicalistas para elevar o valor a 560 reais foi o de que ele representa uma moeda de 50 centavos por dia em relação ao valor defendido pelo governo.

"Nós estamos falando de 560 reais. 560 são 15 reais a mais por mês. Por dia dá exatamente essa moedinha aqui de 50 centavos. É isso, Mantega, que nós estamos pedindo para dar de aumento aos trabalhadores do Brasil", disse o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, mostrando uma moeda. Inicialmente, as centrais reivindicavam 580 reais.

Em sua apresentação, Mantega afirmou que, além de não querer descumprir um acordo fechado com os trabalhadores, o governo também encontra dificuldades fiscais para conceder aumentos superiores a 545 reais e teme gerar desconfianças em relação ao rumo das finanças públicas. Um reajuste para 560 reais, segundo ele, implicaria um impacto fiscal de 10,5 bilhões de reais anual.

"Os senhores viram que nós acabamos de fazer um corte, uma redução de despesa forte de 50 bilhões de reais. Seria incongruente para nós darmos um aumento superior a 545, que implicaria conseguir recursos para viabilizar esse novo aumento que não estava previsto no Orçamento", afirmou o ministro.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da Silva, sustentou a necessidade de valorizar o mínimo. "Continuamos mantendo a proposta de valorização e não apenas de recuperação pela inflação", disse.

A proposta do governo leva em conta apenas reajuste pelo INPC de 6,47 por cento, mais arredondamento.

Rebatendo argumento do governo de que um aumento maior pode gerar expectativa de inflação, disse que "nós não estamos vivendo inflação de demanda no Brasil".

Representantes da Confederação Nacional da Indústria e da Confederação Nacional dos Municípios também levaram seus argumentos à Câmara dos Deputados.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello e Isabel Versiani)

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